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Janeiro de 2004

Neta fala dos planos para o acervo de Cascudo

NATAL - Daliana, primeira neta de Cascudo, está na direção do Memorial que leva o nome de seu avô desde sua criação, em 10 de fevereiro de 1987.

Além de cuidar de todo acervo do avô, Daliana Cascudo, que é formada em Psicologia e Ciências da Computação, tem pela frente a missão de viabilizar a digitalização do acervo documental que existe no Memorial. Entre cartas, jornais, anotações, fotos e postais, são mais de 25 mil documentos. A intenção é tornar o material acessível ao público e preservar os originais.

Nesta entrevista, ela fala sobre o Memorial, a restauração dos livros que pertenceram a Cascudo e sobre a digitalização do acervo documental

O que podemos encontrar, hoje, no Memorial?
A pessoa que visita hoje o Memorial Câmara Cascudo encontra, no andar térreo, um museu em homenagem a ele com objetos pessoais, que estavam na casa dele e vieram para o Memorial, como a máquina na qual ele escreveu praticamente todos os seus mais de 150 livros, óculos, lupa, roupas. Uma parte de fotobiografia e uma outra dedicada a temas estudados por ele: folclore, artesanato, sincretismo religioso, cultura popular, etc. No andar superior, nós temos a biblioteca particular de Câmara Cascudo, que conta com cerca de 10 mil volumes. Ela pode ser consultada. Temos também toda a parte documental. São cartas recebidas por ele, de jornais para os quais ele escreveu e também os que colecionou, fotos, postais, tudo que ele acumulou ao longo da vida.

A biblioteca é aberta ao público?
A biblioteca é toda passível de ser pesquisada. A partir de um catálogo, escolhe-se o livro e um funcionário vai trazê-lo até você. As únicas restrições é que não fazemos empréstimo e nem fazemos xerox desse material. Noventa por cento dos livros têm dedicatória para ele; praticamente todos são grifados com anotações de próprio punho, então não podemos descuidar desse material. Sobre o acervo documental, estamos relacionando tudo agora. Nossa intenção é digitalizá-lo para poder colocá-lo disponível ao público. Assim, as pessoas terão acesso a tudo, mas poderemos preservar os documentos originais. Temos documentos até do tempo do Império. O projeto de digitalização será iniciado agora, em 2004.

O que é exatamente esse material?
Temos aproximadamente 12 mil cartas, 4 mil jornais e outros 10 mil documentos, entre fotografias, anotações e outros manuscritos. No meio disso tudo temos a correspondência passiva, isto é, a que ele recebeu. Temos cartas de Mário de Andrade, Roquete Pinto, Carlos Drummond de Andrade, Nilo Pereira, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato... Essa correspondência retrata muito bem o círculo de amizades entre eles como também serve de fonte de pesquisa. Era a Internet deles. Em livros como Dicionário do Folclore Brasileiro, ele sempre se refere a fontes que ele pesquisou e perguntou a outras pessoas através de cartas.

E quanto à restauração dos livros?
Nós já restauramos cerca de mil livros e pretendemos ampliar este trabalho. Nem tudo na biblioteca precisa de restauração mas pelo menos outros mil volumes devem ser restaurados. É um trabalho demorado e dispendioso. Temos feito em lotes de duzentos livros. A intenção é que essa restauração continue e não só em relação aos livros, mas também no acervo documental.

O que deve estar pronto até 2006, quando serão completados 20 anos de morte de Cascudo?
Esperamos estar bem adiantados quanto à digitalização do acervo. Pretendemos deixar o máximo possível do acervo documental acessível do público. Outra idéia é disponilizar este acervo não só no Memorial mas também em um site, de forma que sirva também de intercâmbio com outras instituições do gênero.

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Para saber mais, visite o site Memória Viva de Câmara Cascudo.