Conversa ao pé do ouvido

Conversando é que a gente se entende. E Cordeiro de Farias é mestre nessa arte. Bom de ouvido como ninguém. Na História do Brasil, de 22 para cá, vamos encontrá-lo em vários capítulos, ora de fuzil a tiracolo – naturalmente no tempo em que as pernas ajudavam uma caminhada boba pelos brasis adentro, e, depois ao ordenar outros argumentos fortes nos campos da Itália – ora, isto mais tarde, em cochichos cívicos pesando os prós e os contras dos avanços e recuos na área política. Para ele, um recanto de sala, um gabinete, vale mais que um salão inteiro. Homem de comando, esta mais na XXX dos comandados – civis ou militares – que na presença física. Isto não é muito comum no Brasil, sobretudo com a gente do Rio Grande do Sul, cuja média de comportamento nos dias de arrojo, tão bem Ascenso Ferreira cantou no seu poema “Gaúcho”. Fomos testemunhas de algumas de suas atitudes nos seus tempos de Pernambuco, a começar pela primeira maior de trás. Etelvino Lins, com seu celebrado gosto de brincar com casa de marimbondos, levantou a candidatura de Cordeiro a governador do Estado. Aqui no Rio, no Catete, o seu ocupante do dia, o inesquecível Café Filho, ficou preocupado com a perspectiva de “toró” político maior naquelas plagas. É que o opositor a Cordeiro de Farias era João Cleofas, outro nome de peso. Um páreo duro. Café, através de pessoa de sua estima e confiança, mandou sondar, com as devidas cautelas, se não seria possível uma acomodação, com a desistência dos candidatos em favor de um terceiro que conciliasse as duas correntes. Sem muito rodeio Cordeiro deu a entender que toparia a sugestão presidencial. Mas Cleofas, que tinha o pleito como favas contadas, não foi na conversa. Abertas as urnas, Cordeiro de Farias era o governador.

Mas águas passadas não botam moinho para a frente.

Agora, de novo, o homem de uma conversa ao pé do fogo político aparece em cena. Todo arredio, como quem não quer nada, sobretudo quando a cadeira eventualmente vazia pertence a um amigo dileto, carta do mesmo naipe, ele não vai se negar a trocar idéias, o seu forte, com o maior de espadas para quem, hoje, o Brasil diz graças a Deus. Nesta hora, com a valsa que se ensaia, ninguém com mais categoria para dar o braço à distensão.

 

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