Revelado
o segrêdo da Barra da Tijuca
“No
dia 7 de maio de 1952, João Martins e Ed Keffel encontravam-se
na Barra da Tijuca, com o intuito de fazer uma reportagem de rotina.
Às quatro e meia da tarde, inesperadamente, João Martins
viu um objeto que vinha no ar em grande velocidade. A princípio
pensou que fôsse um avião visto de frente. No entanto,
Martins estranhou porque aquilo, se fôsse avião mesmo,
estava voando de lado. Exclamou: “Que
diabo é aquilo?”
Keffel estava com sua máquina Rolleflex a tiracolo e Martins
gritou: “Bata,
Keffel!”
Ed Keffel, com grande habilidade, disparou a sua máquina
cinco vêzes, no espaço de um “disco
voador”.
Dezenas de pessoas viram o “disco”
naquele dia e comentaram o fato antes de fotografia serem publicadas.
Naquela mesma ocasião, o Adido Militar à Embaixada
dos Estados Unidos, junto com oficiais brasileiros, examinou os
negativos da seqüência e declarou:
- Não tenho a menor dúvida sôbre a autenticidade
das fotos divulgadas pelos repórteres de “O
Cruzeiro”.
Na época, acompanhávamos
com grande interêsse o desenrolar dos acontecimentos, quando
mais tarde surgiram testemunhas afirmando ter visto homens jogando
para o ar e fotografando um disco, exatamente no mesmo local das
fotos de Keffel. Essas declarações vieram estabelecer
uma dúvida no nosso espírito. Dúvida que perdurou
até o ano de 1954.
Em 1954, o Brigadeiro Eduardo Gomes, então Ministro da Aeronáutica,
nomeou o Coronel João Adil de Oliveira para chefiar a primeira
“Comissão
de Investigadores sôbre os Discos Voadores”
criada em nosso País. Um dia, recebi um telefonema do Coronel
Adil, pessoa que não conhecia. Convidou-me a comparecer ao
Estado-Maior da Aeronáutica a fim de prestar alguns esclarecimentos
em tôrno de um fato relacionado com “discos
voadores”
ocorrido em 1948. Chegando lá, encontrei outros convidados:
oficiais da esquadrilha de aviões a jacto da Base Aérea
de Gravataí, que falavam sôbre dois “discos”
que haviam sobrevoado aquela base durante horas seguidas. Um pilôto
civil, por seu lado, contava que, tendo o seu avião sido
seguido por um “disco”,
modificava seu plano de vôo, pousando em São Paulo.
Em determinado momento, João Martins e Ed Keffel chegaram
ao Estado-Maior, também convidados pelo Cel. Adil.
Naquele dia, ouvi, vi e aprendi muita coisa... Mas o que realmente
interessa é que, a certa hora, o Coronel Adil mandou buscar
um “dossier”.
Ao recebê-lo, declarou que ali estava todo o estudo que a
FAB havia feito em tôrno do caso da Barra da Tijuca. Ao abrir
o volume, que era enorme, caiu inesperadamente sôbre a mesa
um disco de madeira. Houve um súbito silêncio naquela
sala... Que seria? A FAB teria apurado alguma fraude? O próprio
Coronel Adil rompeu o silêncio dizendo mais ou menos o seguinte:
- Você se lembra, Martins,
que algumas pessoas declararam ter visto homens jogando um disco
para o ar e fotografando? Realmente êles viram êste
disco que aqui está, mas nós sabemos que não
foi jogado por vocês, porque êle foi jogado por nós
da FAB, que nos dias seguintes ao fato fomos para o local fazer
minuciosos estudos em tôrno das suas fotografias. Inclusive
andamos jogando êste disco para o ar, numa tentativa de reproduzir
uma seqüência como a de vocês.
Sempre tive vontade de contar êste
fato pùblicamente e, agora, tendo surgido esta oportunidade
procurei o Coronel Adil e por êle fui autorizado a fazê-lo,
inclusive me cedendo o modêlo de madeira.
Em 1952, falava-se do desinterêsse da FAB pelo assunto ligado
aos “Discos
Voadores”,
o que não era exato. Consegui do Coronel Adil uma pequena
parte dos documentos que integram o “dossier”
a que já me referi, organizado pela FAB, em 1952. Vou mostrar
alguns, dêsses documentos para que os telespectadores se certifiquem
do fato. Lembramos porém que êles representam o resultado
de um estudo sério destinado ao arquivo da FAB.
Temos aqui um estudo em tôrno da fotografia n.º 3. O
mesmo estudo foi feito para cada fotografia da seqüência.
Êste documento mostra estudos relativos a azimute, distância
zenital, declinação e ângulo horário.
Nas figuras 3 e 4 aparece a trajetória do Sol, posição
de onde foram tiradas as fotos e a posição das árvores
que aparecem na foto n.º 3. Êste outro documento foi
feito para analisar a foto n.º 1. Nêle vemos estudos
de perspectiva onde se verifica a inclinação da linha
de visada com o horizonte, bem como a inclinação do
plano do “disco”
e ainda a altitude que, no momento da fotografia, era de 490 metros
e a distância ao observador, que era de 1.500 metros.
Para
melhor entendimento, vamos fazer no quadro-negro uma representação
esquemática do que acabamos de dizer, assinalando as posições
do observador e do objeto. As posições do objeto são
obtidas em face do azimute que a FAB calculou para cada fotografia.
E sucessivamente temos: na foto 2° objeto está a 2.000
m de distância e 930 de altitude. Nas fotos 3, 4 e 5, respectivamente
a 1.200, 1.100 e 3.000 m de distância e 940, 720 e 580 de
altitude. Todos êsses movimentos confirmam exatamente a descrição
que dêles fêz João Marins, em 1952. E mostram
também a impossibilidade de fraude, uma vez que não
é exeqüível jogar um “disco
de madeira”
nas distâncias registradas.
Outro esclarecimento deve ser dado para explicar a foto n.º
1. Ela sempre representou um entrave na interpretação
da seqüência. Nela temos a impressão de ver uma
hélice na parte inferior do “disco”,
enquanto nas demais não existe tal hélice. Pela reconstituição
em outro documento do estudo feito pela FAB, verifica-se perfeitamente
que o “disco”
da foto 1 é o mesmo do resto da seqüência. O que
nos dá a falsa impressão de dois planos é apenas
um efeito de luz e sombra.
Telespectadores: as críticas
feitas em 1952 à Fôrça Aérea Brasileira
foram injustas. A FAB examinou o assunto em profundidade.
Quanto à autenticidade das fotografias de Ed Keffel e João
Martins, como viram, temos suficientes razões para fazer
uma afirmativa: elas são verdadeiras”. |