Começa
por ter um nome bonito, de heroína de romance: Maria da
Glória. Para os íntimos, essa Maria da Glória
fica mais doce. É apenas Glorinha. A Glorinha de casa,
para uso doméstico. Mas fora disso, é mesmo Maria
da Glória, já agora em cartaz nacional de TV, onde
vem brilhando como locutora. Um dia a simplicidade marcou encontro
com Maria da Glória. E nunca mais a deixou. A môça
é daquelas que não turvam a água para dar
a impressão de que ela é profunda. Deus a fêz
assim e assim vai vivendo. Vivendo e ensinando. Porque Maria da
Glória, depois de conquistar (em caráter definitivo)
um lugar de locutora na TV Tupi, parte agora para novas vitórias.
Sim, senhores, a nossa Maria da Glória é professôra
com letra grande. Montou uma escolinha no 12° andar do edifício
Acaiaca, na doce paisagem mineira de Belo Horizonte. Ou melhor,
no estúdio da TV Itacolomi.
Assim sendo, tôdas as sextas-feiras viaja
para as históricas Minas Gerais. Lá prepara as garôtas-propagandas
e locutoras também. Maria da Glória deixa sempre
o traço de sua inconfundível personalidade em tudo
o que faz. É um prazer vê-la em ação,
na TV ou na sua cátedra. É, antes de tudo, uma professôra
de simpatia. Possui uma porção de qualidades numa
só pessoa: bom gôsto, dicção, inflexão,
naturalidade e classe para dar e vender. Essas qualidade que Deus
lhe deu Glorinha as reparte com as suas alunas. E as reparte muito
bem.
Tanto assim
que, graças aos seus toques, vão surgindo outras
Maria da Glória através do Brasil. A professôra
faz muita fé na sua escolinha. Acha que a “produção”
dentro de mais alguns anos será das mais brilhantes, pois
môça inteligente neste País não há
falta.
- Há mesmo inflação - afirma ela com o seu
perfeito modo de falar.
Todo êsse
trabalho, dos mais exaustivos, Maria da Glória o realiza
muito bem, apesar dos compromissos inadiáveis com a TV.
Por exemplo, anima um programa de duas horas que é mais
que um “show”,
porque é “Super-Show”.
Além disso, faz entrevistas e mantém um belo programa
feminino. Dedica também às crianças a sua
atenção, através de um programa infantil
que tem a boa marca de Maria da Glória. As recordações
da infância estão sempre presentes. Daí a
ternura que a famosa locutora da TV Tupi dedica ao mundo das crianças.
Ela confessa que é com prazer que anima o “show”
infantil. Assim é a vida de Maria da Glória. Uma
vida cheia de acontecimentos, grandes e miúdos.
Môça
que vive com os olhos no ponteiro do seu relógio, mesmo
assim lhe sobra tempo, de noite, após seu trabalho de TV,
para conversar com os bons autores. Na sua estante mora muita
gente famosa: poetas, romancistas, biógrafos. (“E
também filósofos”,
acrescenta.) Um mundo de inteligência e cultura. Mas o sonho
número 1 de Glorinha é mesmo popularizar a sua escolinha.
Ela julga isso uma necessidade em face do surpreendente progresso
da televisão no Brasil. Já diplomou a sua primeira
locutora: Eva Linda. É a sua obra de arte. Trata-se de
môça realmente muito interessante. Bonita, sugestiva
e que herdou da mestra a irresistível simpatia. Sendo assim,
não será difícil Eva Linda triunfar na TV.
“Naturalidade
e bom gôsto”
- eis a receita que Maria da Glória fornece às garôtas-propaganda.
O resto pode ser adquirido, como, por exemplo, a dicção,
a inflexão de voz e a própria classe. Mas naturalidade
e simpatia nascem com as pessoas. Não podem ser compradas.
São qualidades que levam a marca de Deus. Só Êle
as dá. Eis, em história curta, Maria da Glória.
Um nome bonito servido por uma inteligência brilhante. Um
bom retrato sem retoque de môça brasileira. Uma garôta
que dispensa propaganda.