Apêlo de D. Risoleida

O LADO humano do Sacopã ganha um impacto novo com a visita do Deputado Tenório à casa onde mora a mãe de Alberto Jorge Franco Bandeira. E penetramos aí em pleno território do sentimento mais vivo e mais caro à sensibilidade brasileira. Essa senhora tem vivido sete anos com as horas marcadas pelo relógio de um presídio, onde está seu filho. Todos os minutos que passam para Jorge Franco Bandeira são contados em dôbro com a marca da ternura, do sofrimento e da solidariedade materna. O fio de preces que sai dos lábios de um é acompanhado pelas orações de sua mãe. O compasso de uma saudade, o prato vazio na mesa, as roupas do ausente, tudo isso constitui um argumento a mais para que tôdas as mães brasileiras compreendam e sintam o que se passa com essa senhora. Tôdas as que viram um filho ser-lhes retirado do lar estarão, nesta hora difícil, junto dela. E foi contando com essa solidariedade que a mãe de Bandeira fêz o seu grande apêlo durante a visita do Deputado Tenório Cavalcanti: Que as mães brasileiras se unam a mim nesta hora. Que suas palavras sejam um protesto sereno e firme contra um êrro Judiciário. Ela sabe que fôrças arregimentadas em vários setores se articulam de novo contra o seu filho. Não ignora que são enormes ainda os empecilhos opostos à libertação de Alberto Jorge Franco Bandeira. E por isso faz o seu apêlo. O apêlo mais belo e mais humano: o de mãe. Tudo isso ela disse ao receber a visita de Tenório. Ela conhece a opinião de Bandeira sôbre o parlamentar: Vi, ao contemplar o Deputado Tenório, um amigo certo. E chorou. Para sua mãe essas lágrimas significaram muito. E ela falou: Chore, meu filho. Não tenha vergonha dessas lágrimas. Elas são um desabafo justo e verdadeiro. Era a primeira vez que Alberto Bandeira (o frio assassino para muitos) se punha diante de um seu defensor disposto a tudo pela verdade. Verdade que aparecerá com um V maiúsculo e que se denuncia no apêlo de D. Risoleida Franco Bandeira.

 
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