Denúncia do Deputado Tenório Cavalcanti à Nação

NESTE momento sou alvo de uma das mais violentas e bem organizadas campanhas jamais sofridas por um homem público brasileiro. Não se discute mais o crime do Sacopã. Discute-se Tenório Cavalcanti. Nada me é poupado. Nem a honra, nem a família. Dois jornais brasileiros, de coloração tão diversa, deixaram de lado velhas e tradicionais divergências para, em artigos e reportagens, atacar os defensores de Bandeira. Refiro-me a O Globo e Ultima Hora. Sem respeito pelo seu público, êsses dois órgãos de imprensa transformaram-se em promotores públicos da nova fase Sacopã. Não é preciso muita argúcia para se compreender onde querem êles chegar. Desejam, com êsse fogo de barragem, destruir as provas que inexoràvelmente temos acumulado em trabalho que vem empolgando a Nação. Que apresentam os acusadores de Bandeira contra a nossa compacta avalancha de provas? Nada. Apenas desaforos e velhos chavões ultrapassados. Ainda agora, um dêsses jornais, Ultima Hora, com imaginação de novelista, confeccionou um encontro meu com o titular da Justiça, Sr. Armando Falcão, a quem eu teria afirmado não ter provas da inocência de Bandeira. Nada mais absurdo e ridículo. Êsse encontro, com êsse objetivo, só existiu ou existe na cabeça dos seus inventores. Como também inexistente foi a minha declaração ao Presidente Juscelino Kubitschek de que não possuía provas capazes de levar o Judiciário a uma revisão do processo Sacopã. A verdade é que os promotores públicos de O Globo e Ultima Hora estão em carência de melhor material. Tanto assim que, num lance à Rocambole, mobilizaram um velho habitué do crime e da trapaça, um doutor Junqueira, como testemunha contra nós. É descer muito. Essa figura do bas-fond da escroquerie nacional será daqui por diante o retrato, de corpo inteiro, dos que colocaram Bandeira no fundo do cárcere. É um retrato de lama. A lama com que o O Globo e Ultima Hora tentam inúltimente encobrir a verdade.

TENÓRIO CAVALCANTI

Testemunhas e documentos de Tenório têm sofrido
tremenda e injusta campanha de desmoralização


A GRANDE resposta do Deputado Tenório Cavalcanti já está nas mãos da Justiça. Exatamente nas mãos do Juiz Mata Machado, cuja lisura moral o povo espera comprovar mais uma vez. A grande resposta de Tenório é a petição judicial, com rol de testemunhas. Uma dúzia de depoimentos, muitos dos quais publicamos parcialmente, para não prejudicar as diligências particulares do parlamentar. Em Juízo, os fatos aparecerão de corpo inteiro, produzindo enrêdo ofuscante: a verdadeira história do crime do Sacopã. Cada testemunha citada pelo defensor de Bandeira apresentará nomes de outras tantas, que, por sua vez, deporão em Juízo. E a verdade, que o Deputado vem mostrando em ritmo salteado, em fragmentos, jorrará de tôdas as bôcas ajuizadas. A batalha publicitária, que sensibilizou os mais remotos quintais do País, dará passagem à ação tranqüila da Justiça, representada na pessoa de um juiz tido e havido como homem de bem. A toga dignificada, no símbolo escorreito da linha reta. Quanto ao Deputado, continuará êle como fiscal da opinião pública, no front sereno da revisão criminal. A experiência da luta fêz de Tenório um desconfiado. Um homem que se sente na mira dos interêsses que contraria, sempre mais atuantes cada vez que êle avança um palmo, no rumo da sua verdade. Já agora vê desabar um temporal sôbre a cabeça das testemunhas que, em atenção aos rogos do povo, êle lançou pelas páginas desta sua tribuna gráfica. Eis o caso de João Lacerda Filho,
secreta da Central ao tempo do Sacopã, companheiro de Joventino, que, como o outro, foi convidado para matar o bancário. As confissões de João abalaram o sistema nervoso dos verdadeiros autores do crime da Lagoa Rodrigo de Freitas. Surgiu, à minuta, um plano para desmoralizá-lo. Os atôres são figuras municipais, inimigos políticos de Tenório. A dupla, um vereador e um seu amigo, inventou coisas de João, empilhadas numa entrevista de jornal. João teria dito que o Deputado e Joventino construíram, de comum acôrdo, uma trama para libertar Bandeira. Tudo não passaria de episódio cinematográfico. Ignoravam os detratores de João um fato que os desmascara. Não foi o Deputado quem falou em Joventino pela primeira vez. O nome do pistoleiro de Araçatuba surgiu, em 1955, pela boca de João Amâncio dos Santos. Aí está a palavra honrada do Jornalista Maurício Vaistman, de outros colegas seus, de oficiais da Aeronáutica, que conhecem esta revelação de Amâncio, feita num repente desesperado. O próprio Amâncio, há 4 anos, prometeu capturar Joventino. Desapareceu do Rio, presumivelmente nas pegadas do matador. Quando reapareceu, foi com um recorte de jornal: a notícia da morte de Joventino, ocorrida no interior de S. Paulo. O mesmo grupo interessado em desmoralizar a denúncia do Deputado voltou-se contra Manuel Constantino da Silva. Este foi chamado de ladrão, crismado com outros substantivos de má fama. Simplesmente porque Constantino (Manèzinho entre os seus) cedeu fotos de Joventino ao Deputado, nas quais o pistoleiro aparece no bar da praia de Ramos, poucos dias após o crime. Até um informante de Tenónio (o homem da casa de móveis, em São Cristóvão) foi peitado para assinar um documento, desmentindo uma afirmação desta Revista, segundo a qual Joventino estivera no Rio, um mês antes da denúncia de Tenório. Ofereceram-lhe rendoso emprêgo público, em troca do desmentido. Finalmente, aqui temos o ato mais atrevido dos anti-Bandeira: a colaboração de um vigarista veterano, conhecido no registro policial como Doutor Junqueira. É um marginal capitulado em quase todos os artigos do Código Penal. Pois o Doutor Junqueira, que cumpre pena de mais de 20 anos, na Penitenciária Central do Rio, apareceu com uma carta-denúncia revelando a farsa de Tenório. A bomba engordou manchetes da equipe do outro lado. Tenório, êstes repórteres e até o Deputado Federal Luiz Bronzeado teriam maquinado uma trama, cuja finalidade seria a de inocentar o Tenente Bandeira. O vigarista ouvira conversas veladas que voaram do cubículo 21 (o de Bandeira) para a sua cela. Acontece que o Deputado Luiz Bronzeado nunca visitou Bandeira. Por outro lado, quando o Deputado Tenório procurou o Tenente, no seu cubículo (aliás por sugestão do Coronel Paim, diretor da Penitenciária), os internos da cadeia estavam no trabalho, e não em suas celas. O Procurador-Geral do Distrito Federal prontamente tomou conhecimento da denúncia do malandro. Um promotor foi imediatamente designado para ouvir o Doutor Junqueira, embora por tanto tempo ficasse no ar a voz de um membro do Congresso Nacional, Deputado Tenório. O mais curioso é que o próprio Doutor Junqueira, em requerimento endereçado ao Coronel Paim, negou a autoria da carta-denúncia. Mais curioso ainda que tenha, noutra carta, esta dirigida ao próprio Procurador, confirmando os têrmos da primeira missiva, por êle mesmo negada, referindo-se novamente à pessoa do Deputado Luiz Bronzeado. Eu o reconheci no cubículo. O simples relato dêsses fatos mostra, irrecusàvelmente, que o Deputado Tenório Cavalcanti está com a razão, quando denuncia a existência de um plano de desprestígio de suas testemunhas. Insiste o defensor de Bandeira que entrou em pânico a cúpula que dá cobertura aos verdadeiros criminosos do bancário. Concorda também que se arriscou, um pouco, ao jogar na rua alguns elementos que formaram a sua convicção da inocência de Bandeira. Promete, doravante, usar de mais cautela, precaução, já que se faz clamante a ação dos que tentam sufocar o seu grito. Se o pouco que tenho revelado trouxe como conseqüência um furacão de opróbrios, que não aconteceria se eu mostrasse todos os meus trunfos, antes de apresentá-los à Justiça? Eis a pergunta que o Deputado formula a todos os que lhe pedem, apressados, as provas em massa. Convenhamos que o Deputado Tenório Cavalcanti, ainda neste particular, está com a razão. Êle não é homem de ver fantasmas.

 
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