Joventino e quatro capangas tentaram contra
a vida do Deputado Federal Luiz Bronzeado

Êste é um quadro à parte nesta história escura. Representa mais uma pincelada no perfil criminoso de Joventino Galvão da Silva, um homem que declarava, na Paraíba, para quem quisesse ouvir, que sua profissão era matar. Quem irá contar os fatos não somos nós, nem o Deputado Tenório Cavalcanti. Passamos a palavra escrita para o Deputado Tenório Cavalcanti. Passamos a palavra escrita para o Deputado Federal Luiz Bronzeado, da Paraíba. O fato passou-se a 12 de agôsto de 1951. Mais ou menos 30 dias antes dêste episódio, Joventino tomou café na casa do Deputado Bronzeado. Mostrava-se alegre, calmo, como homem de consciência tranqüila. Longe estava de o Deputado Bronzeado desconfiar de alguma cilada por parte do pistoleiro. No segundo ato, Joventino aparece com 4 capangas de sua confiança. Vira copos de cachaça e comunica à sua gang: Nós vamos fazer um serviço no Deputado Bronzeado. Alguns recuam, argumentam, Joventino esclarece o fato: Quem não quiser ir é só desistir agora. Mas quem não quiser, fica logo sabendo que eu atirarei em quem correr. Êste é o trato. E lá foram, armados, resolvidos a matar por dinheiro. O deputado estava junto a uma seção eleitoral. Distribuía cédulas. Eis quando alguém lhe aplica uma gravata por trás. Supõe que é brincadeira e chega a dizer: Vamos parar com isso, rapaz. Depois escutou um tiro e caiu ao solo meio desacordado. Viu que era alvo dos revólveres do grupo. Como tinha o braço direito inutilizado por um tiro recebido no ombro, o Deputado Luiz Bronzeado sacou, com a mão esquerda, o seu revólver. Respondeu do chão ao tiroteio. Um dos capangas êle alvejou mortalmente. Viu, num relance, Joventino Galvão da Silva com dois revólveres, um em cada mão. Atirava furiosamente, até quando o deputado o atingiu com uma bala no externo, que lhe atravessou o corpo. Viu Joventino vergar-se e cair de manso. Minutos depois, nas ruas de Lagoa do Remígio, onde se passou êste fato, um jeep rolava, com duas pessoas dentro. Joventino deu um psiu. Vinha cambaleando, com a mão no ferimento. Queria uma carona. Os homens do jeep diminuiram a marcha, pensando tratar-se de um bêbedo. De imediato identificaram o pistoleiro e o prenderam. Eram êles o pai e o irmão do Deputado Luiz Bronzeado.

Êste, e muitos outros crimes foram praticados pelo homem que era funcionário da Polícia Secreta da Central do Brasil. Agora mesmo, procurou-nos um sobrinho de Joventino, operário. Contou que o bandido matou um tio seu, por motivos fúteis. Foi chefe de cangaceiros, no sertão paraibano. Assaltou muitas fazendas, saqueando e matando, tudo isto pouco tempo antes de vir para o Rio, contratado para matar Afrânio , tal é a acusação do Deputado Tenório. O Deputado Luiz Bronzeado chegou a publicar em folheto, no qual aborda uma série de crimes do homem que, em Araçatuba, declara que é homem de bem, ordeiro, incapaz de violência. Entretanto, é um procurado pela Justiça da Paraíba, com prisão preventiva decretada, um frio matador que recebe as graças de um habeas-corpus providencial, favorecido. Por um juiz não informado da sangrenta via pregressa do bandoleiro.

Tenório comenta o depoimento do pistoleiro

Tenório não irá a Araçatuba. Esperará Joventino no Rio. Não se espantou com o fato de Joventino ter negado a autoria do crime do Sacopã. Espantar-se-ia se êle confessasse, êle que se apresentou à Polícia sobraçando dois advogados e um habeas-corpus preventivo, provàvelmente encomendado há mais de um mês. Eis como Tenório aborda o depoimento do matador profissional.

Ubiratan: - Joventino afirma que não estava na Central no dia do crime. Que acha disso?

Tenório: - Êle falou a verdade. Não estava, realmente, na Central, mas sim dentro do carro de Afrânio, assassinando-o.

Ubiratan: - Joventino desmentiu qualquer contacto seu com um chefe da Central do Brasil. Que pensa disso?

Tenório: - Eu nunca citei o o nome de qualquer chefe da Central, nem gratuitamente, nem procurando ligá-lo ao crime.

Ubiratan: - Êle afirmou que há anos não vem ao Rio?

Tenório: - Então publique, para desmenti-lo, aquela nota de compra que lhe dei (compra que Joventino tentou fazer em S. Cristóvão). Veja a data , 17 de julho de 1959, e observe o relato que fêz o Sr. Aluisio Araújo, empregado de uma casa de móveis, onde o bandido consultou preços. Araújo diz que o pistoleiro era acompanhado de uma loura bonita. Reconheceu-o pelo retrato publicado em O Cruzeiro. Publique, também, estas fotos de Joventino do Rio.

Ubiratan: - Joventino assegura não encontrar-se no Rio no dia do crime do Sacopã. Como explica isso?

Tenório: - Êle pode dizer o que bem desejar. Entretanto é bom saber que êle não conseguirá provar o que afirma. Seria impossível. Vejo êste detalhe como provocação soprada a Joventino, e não sou tolo para cair nela.

Os passeios de Avancini

Uma das mais constantes negativas de Joventino é sôbre Walton Avancini, principal testemunha no processo do crime do Sacopã. Nunca vi êsse homem, é frase muitas vêzes repetida. Em Araçatuba, porém, é voz corrente de que Avancini visitava freqüentemente a cidade (é vendedor comercial de um laboratório farmacêutico) fazendo refeições na residência de Joventino. Quando o repórter pergunta se isso é verdade, Joventino sorri, maneiroso, e repete: - Nunca o vi.

Entretanto, há pessoas que informam com precisão sôbre as atividades de Avancino em Araçatuba. O Sr. Elpidio Benedetti, proprietário da Cantina Mexe, declara que conhece Walton e que êste passava temporadas na fzendo do pai de Joventino, em Andradina. Chegou a ter uma amante na zona do meretrício de Araçatuba, chamada Maria Lídia da Silva, atualmente proprietária da Boite Marrocos nessa cidade. Antônio Correia, porteiro do Hotel Gaspar, de Araçatuba, também afirma conhecer Avancini. A Polícia local está colhendo elementos para apurar se Avancini freqüentava a casa de Joventino.

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