Kim
Novak sambou nas ruas
Texto
de EURILO DUARTE
Fotos exclusivas de ALVARO DE BARROS (De “Ultima
Hora”)
KIM
NOVAK perdeu a conta do número de pessoas que estêve
ao lado dela, sambou ao lado dela, fêz gracinhas ao lado
dela e até pegou em suas mãos, em ritmo de carnaval,
sem saber que era a glamorosa estrêla de Hollywood, na sua
mais fascinante aventura de turismo no Rio. A história
começou depois do Baile do Municipal, quando a môça
bonita resolveu fazer uma coisa que não estava no programa:
rasgou o próprio programa. Vestiu uma camisa rôta
e saiu por aí. Sentiu o Carnaval carioca em carne e osso.
Um carnaval fora de frisa, fora de palanque, que começou
na Avenida e acabou no Teatro República. Um folião
mais animado, sem saber que estava com uma “estrêla”
na mão, pediu: “Me
dá um dinheiro aí”.
E ela, em português de 24 horas (ensinado por Jorge Guinle
e Danuza Wayner) pediu também: “Me
darr uma dinherro aii”.
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O
sotaque poderia trair apenas a presença de uma gringa
a mais, no meio da ampla coleção de turistas
que o Rio exibiu no seu derradeiro Carnaval como Capital
Federal. De vez em quando, Kim Novak desafiava os bons fisionomistas,
levantando a máscara para enxugar o suor ou beber
refrigerante. E ninguém descobria nada. Quem vira
KN sem sambar no camarote do Teatro Municipal, jamais poderia
supor que ela fôsse a cidadã-samba do Teatro
República.E como a primeira dose do Carnaval popular,
na segunda-feira, não bastou, Kim Novak voltou na
têrça-feira, com o mesmo traje, a mesma alegria,
o mesmo anonimato - e deixou amargurados até hoje
os fotógrafos e jornalistas que estavam no baile,
que passaram junto dela, pararam junto dela, olharam para
ela. E que, contudo, não viram nela a estrêla
Kim Novak, o grande “furo”
do Carnaval carioca de 1960. |
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