Pesquisas da Polícia Técnica foram ocultadas

EIS um detalhe ausente do processo, como tantos outros que inocentaram Bandeira, segundo informa o Dep. Tenório: - A camioneta Dodge (foto) pertence a Milton Pedro Gomes, alto funcionário do Banco do Brasil. A viatura, com o próprio Milton no assento dianteiro, foi vista na ladeira do Sacopã, a 60 m do local onde o Citroen estacionou, com o cadáver de seu proprietário no assento dianteiro. Cinco minutos antes da chegada do Citroen ao local, a testemunha Octacilio Martins viu a Dodge estacionada, com um único ocupante no seu interior. Êste, ao ver Octacilio, passou para o outro lado do assento, com o visível propósito de ocultar-se. Octacilio pensou tratar-se de roubo de automóvel e teve a lembrança de anotar a chapa do carro. Mais tarde, na Polícia Técnica, Octacilio reconheceu a Milton, que disse achar-se em companhia de uma professôra. Aconteceu que a professôra o desmentiu, e Milton Pedro Gomes, quando se preparava para fazer a sua grande confissão, foi libertado do interrogatório por ordens do então General Chefe de Polícia. Além desta Dodge e do Citroen, outro carro tomou parte no assassínio do bancário: uma camioneta da Central do Brasil. Foi esta que levou os criminosos para o local do crime. Provàvelmente aparecerá outra viatura”. Mas isto o Deputado Tenório contará depois.

Ténorio conta com o apoio de pessoas de tôdas as classes

UM caso como o do Sacopã, de intensa repercussão pública, trouxe um mundo de novos conhecimentos, de novas declarações, tudo com a boa marca do sentimento humano. O enderêço para tôdas essas pessoas que ligaram, assim, o seu nome ao rumoroso affairé um só: a casa do Deputado Tenório Cavalcanti, em Caxias. Aí vêm ter, diàriamente, não só opiniões e gestos de solidariedade, mas cartas (que já somam dez mil) trazendo uma palavra de confôrto ou um detalhe importante, quem sabe? Entre as muitas figuras que tomam o rumo da casa de Tenório, há algumas testemunhas preciosas. Algumas delas já estiveram em nossas páginas e estão prontas a repetir em Juízo o que afirmaram ao parlamentar fluminense. E assim, uma casa congrega um mundo de homens e de mulheres que tomam um interêsse enorme pelo destino do Tenente Bandeira, o ocupante atual do cubículo 21. Êsse movimento de solidariedade é a prova de que a campanha do Deputado Tenório tocou a alma do povo. Um crime que ficou sempre cercado de um manto de mistério parece agora solicitar um retoque. E são figuras humanas, gente de tôdas as classes, que se põem, talvez, a pensar um pouco e indagarem a si mesmas: que posso fazer eu pela sorte de um homem que está prisioneiro há tantos anos? A questão da inocência ou não de um homem nunca movimentou tantas opiniões neste País. E o Deputado Tenório está tendo uma prova dessa afirmação. Por cartas ou por presenças, sente-se o pulsar desta corrente de depoimentos cheios de simpatia e calor humano.

Reviravolta do caso Sacopã movimenta as sessões do Congresso

COM a dramaticidade a que foi levada pelas próprias sutilezas da Lei sôbre revisão de processo criminal, a campanha de Tenório Cavalcanti transborda das ruas para o Congresso. Na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, representantes de diversos partidos têm debatido os novos aspectos do crime do Sacopã: uns, na defesa da atitude do parlamentar fluminense; outros, acrescentando aos seus comentários alguma censura ao ardor com que Tenório busca a liberdade do ex-Tenente Bandeira. De qualquer modo, todos contribuem com palavras a mais neste episódio judiciário que empolga a opinião pública. Adauto Lúcio Cardoso, Menezes Côrtes, Benjamin Farah, Anísio Rocha, Celso Brand e vários outros parlamentares estiveram empenhados nos debates, em que o tema central (a interdição do Sacopã ao rádio e à televisão) encontra acusadores e defensores. Da tribuna da Câmara dos Deputados, Tenório citou também o dilema por êle vivido até agora: dispõe de elementos cabais para demonstrar a inocência de Bandeira, mas só poderá apresentá-los em Juízo. De contra-partida, a Justiça - de acôrdo com a letra da Lei - só iniciaria a revisão do processo diante dêsses elementos. Todavia, solicitou e obteve o apoio da Mesa daquela Casa do Congresso, às suas atividades em prol de restabelecer a liberade de um homem condenado por um crime que não cometeu. Tenório confia que a Justiça encontre um caminho para rever o processo do Sacopã, sem sacrificar os elementos de que dispõe para provar a inocência de Bandeira.

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