NOTA DA REDAÇÃO - Esta foi a última reportagem de Luciano Carneiro: O Primeiro Baile de Debutantes, em Brasília. Para o cumprimento da missão, êle viajou sábado, 19 de dezembro. Terminada a cobertura e empenhado em passar o Natal com a família, tomou o avião de regresso ao Rio na têrça-feira, dia 22. A um minuto do aeroporto do Galeão, houve o choque do Viscount da VASP (em que viajava) pelo Focker da FAB. Luciano Carneiro e os demais trinta-e-um ocupantes do aparelho comercial pereceram. No meio dos destroços, foram encontradas, depois, suas duas máquinas fotográficas e a maleta de material. Tudo quebrado e os filmes expostos à luz. Teòricamente, aquêles negativos já não conteriam imagens. Entretanto, a Revista entrou em contato com as autoridades e mobilizou até o Ministro da Justiça, para que a Polícia liberasse, imediatamente, o material recolhido. Isto foi conseguido. Encaminhados os filmes ao laboratório, com surprêsa se verificou que não estava perdido o derradeiro trabalho do repórter. Ainda com marcas provocadas pelo desastre, as fotos colhidas por Luciano Carneiro ali estavam, mostrando o desfile das debutantes. Quis o destino, por um caprichoso jôgo de espelhos, que êle também figurasse numa das fotos, como se pode ver no flagrante que domina estas duas páginas. E, com base nesse material, o trabalho de Luciano Carneiro foi paginado como normalmente se faz nesta Revista. Esta é a derradeira reportagem de Luciano Carneiro. Apenas os títulos, textos e legendas estão em branco, porque seriam por êle redigidos quando chegasse à Redação. E na pasta de atividades de Luciano Carneiro, repórter, nos arquivos de O Cruzeiro, estará escrito: O Primeiro Baile de Debutantes, em Brasília - missão cumprida.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

“Profundamente abaladas com o trágico fim do nosso querido Luciano Carneiro, queremos expressar a essa Revista o nosso imenso pesar por tão grande perda. Não pudemos ainda acreditar na dura realidade! Êle passou, conosco - as 15 debutantes de Brasília - a última tarde de sua vida. Fotografou-nos mais de cem vêzes, com um carinho e paciência que nos deixaram até comovidas. Disse-nos que esta seria uma de suas belas reportagens... “O Cruzeiro” perde um de seus maiores colaboradores, e nós a pessoa que nos fêz crer - durante uma tarde - sermos as princesas no Palácio da Alvorada”.

 
 

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