Adhemar
em “O Cruzeiro”
Não toquem em São Paulo!
ADVERTINDO,
solenemente, “aos
totalitários de tôdas as tendências”,
que São Paulo “não
tem vocação para carneiro de Panúrgio”,
o Governador Adhemar de Barros, no jantar que lhe foi oferecido
por “O
Cruzeiro”,
disse que qualquer solução para os problemas nacionais
terá de ser encontrada dentro dos quadros democráticos
e que, “se
tentarem jogar alguém pela amurada, êste, com certeza,
não será São Paulo, que jamais deixou de
cumprir a sua missão histórica de guardião
das liberdades do povo brasileiro”.
Saudado através da palavra de Paulo Cabral, pelo Sr. Assis
Chateaubriand, “como
o homem que provou ter o arremêsso dum tigre malaio”,
Adhemar de Barros foi recepcionado pela direção desta
Revista e por cêrca de trezentos convidados, entre os quais
se destacavam o Chanceler Vasco Leitão da Cunha, o presidente
da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, o Marechal Augusto
Magessi, ex-presidente do Clube Militar, o Jurista Francisco Campos
e os Embaixadores do Japão, Itália e Grécia,
além do Ministro da Agricultura, Hugo de Almeida Leme, e
do Deputado Amaral Neto.
A tônica das saudações ao Sr. Adhemar de Barros,
feitas, respectivamente, por D. Amélia Whitaker Gondim de
Oliveira, diretor-presidente de “O
Cruzeiro”;
Pereira de Cerqueira, representante do mais nôvo Estado da
Federação, o Acre; Paulo Cabral, representando Assis
Chateaubriand, e Theophilo de Andrade, comentarista internacional
desta Revista, foi sempre a de ressaltar a posição
enérgica e decidida assumida pelo Governador de São
Paulo, “antes
e depois do 31 de Março”.
D. Lili afirmou, em sua aplaudida saudação: “Vós
sois um dos heróis desta Revolução. Nunca falhastes
no combate prévio ao Govêrno que caiu, e, na hora da
ação, vossa contribuição foi das mais
importantes para a vitória final, credenciando-vos à
posição de um dos paladinos máximos do movimento”.
O discurso de Chateaubriand foi, primeiramente, de recordação
das tantativas de Adhemar de Barros para ajudar os “Diários
Associados”,
“tentativas
baldadas, por sinal...”,
até sua fabulosa contribuição para erigir a
sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Avenida Paulista,
“estando
êste consagrado já como um dos dois grandes museus
surgidos no mundo contemporâneo”.
Aludiu, também, Chateaubriand, na mensagem lida por Paulo
Cabral, “à
personalidade prodigiosa de Adhemar no Brasil de hoje, à
sedução de sua individualidade, galvanizadora da Pátria”.
E, referindo-se ao 31 de Março: “Vosmecê
provou, numa hora de eclipse de sua Pátria, que tinha dentro
de si o arremêsso dum tigre malaio...”
O salão nobre de “O
Cruzeiro”,
decorado com motivos e frutas tropicais, inclusive com uma fonte
luminosa (no centro da fonte duas pequenas baleias, esculpidas em
abóbora pelo casal Manoel Mendez Pereira, expeliam guichos
de água cristalina), completava a beleza da noite e serviu
de ambiente para que a voz forte do homenageado pronunciasse a oração
ansiosamente aguardada pelo País inteiro. Inicialmente, o
Sr. Adhemar de Barros, antes de entrar na leitura do seu escrito,
recordou as múltiplas campanhas empreendidas ao lado de Assis
Chateaubriand, entre as quais a da aviação comercial
e a da Casa da Criança, e fêz votos para que êle
“volte logo
ao nosso convívio”.
Lendo o discurso, o Governador Adhemar de Barros entremeou-o com
passagens de improviso:
-
“Em
1932, perdemos 5 600 irmãos; em 1964, estava São
Paulo disposto ao sacrifício de perder muito mais...”
-
“Nós,
que temos a fôrça, queremos a paz e a tranqüilidade;
só os fracos querem brigar...”
-
“São
Paulo não contribui mais com 2/3 da arrecadação
nacional. Sua contribuição, hoje, é de
3/4...”
-
“Só
o Banco do Estado de São Paulo já financiou, com
50 bilhões, a safra dêste ano. Acabo de vir do
Vale Paraíba e já encontrei ali arroz da nova
safra. Os especuladores, que escondem o produto para ganhar
dinheiro, vão-se decepcionar. São Paulo pode alimentar
o Brasil...”
-
“Prevendo
tôdas as possibilidades, inclusive a de derrota da nossa
Revolução, encomendamos ao Jurista Francisco Campos
a redação de uma Constituição que
iria ser a de São Paulo, apartado do resto do Brasil
comunizado...”
-
“A
classe média, os profissionais liberais, estão
passando muito mal, mesmo com as medidas econômico-financeiras
do atual Govêrno...”
-
“É
preciso deter essa onda de estatismo e favorecer a inicativa
privada. Dou um exemplo: a Cia. Paulista, que era um modêlo
de ferrovia, depois que passou para as mãos do Estado,
custa-lhe 22 bilhões, quando não custava nada.
Quis devolvê-la aos antigos acionistas e não foi
mais possível...”
-
“Levem
ao grande capitão a certeza de que haveremos de continuar
na mesma senda, com mêdo só de Deus. Só
queremos chegar ao outro lado, onde nos encontraremos, e podermos
olhar um para o outro de frente, com honra. Para a frente e
para o alto!”
|