Ser ou não ser Nádia

Texto de ÁLVARES DA SILVA         Fotos de A. RUDGE e H. PASSOS
 

Brigitte Bardot (ô-lá-lá), o brôto fatal com voz de chiclete, que seduz, seja verde ou maduro, em Amar é a minha profissão. Não é mesmo bouleversante? E para contraste: Marlene Dietrich: o Anjo Azul: a Eterna Balzaquiana. Mais conservada do que um pêssego louro de compota, não é? Bem, aqui para nós: não é nada disso. Como? Isto é: é tudo isso, e Nádia Maria também. Compreenderam? São duas estrêlas feitas por uma só. Explicando melhor: é a melhor atriz cômica derádio e TV, a Marilinha absoluta da famosa boite Ali Babá & os 40 Garções, a inimitável imitadora fazendo um show de versatilidade, especial para os leitores de O Cruzeiro, e personificando, na abertura do espetáculo fotográfico, dois tipos de extremos opostos: a guria Babette Bardot versus vovó La Dietrich. Aliás, durante a feitura dessa reportagem, a caracterização que Nádia faz de Marlene passou por improviso por um teste de aprovação. Ela havia chamado o pai para buscá-la na TV Tupi do Rio, onde estava sendo fotografada, e levá-la de volta para casa ao fim da operação. Nádia sai do vestiário, tôda Marlene, indo para o grill posar para Antônio Rudge. No corredor, o pai passa por ela, e não a reconhece: só depois que ela o chama, e insiste Pai, é que êle, Sr. Aristarco Araújo Gama, distingue, por sob a maquilagem glamourosa de Marlene Dietrich em traje degala, sua filha Lêda Soares Gama, que outra não é senão a admirável e famosa estrêla da televisão associada, Nádia Maria.

Que é mais que Nádia faz? Aqui estão 10 caracterizações cômicas. As imitações mais difíceis são as de máscaras faciais com indumetárias típicas do imitado, como é o caso de Brigitte, Marlene, Charles Chaplin, Vanja Orico. As imitações de voz parecem ser mais fáceis, mas não o são: é preciso ter cuidado especial com os gestos. Para isso, Nádia estuda as ou os personagens com esmêro, observando várias performances da personalidade a ser reproduzida, além de colhêr impressões ou examinar fotografias. O resultado, em geral, tem sido muito engraçado. Não há quem não dê boas gargalhadas ouvindo Nádia imitar o comentarista Al Neto, ou o produtor Jacy Campos, fumando e a chamar com o dedo a câmara e Tv, e dizendo com clareza: Hojéssêxafêra-Sêxafêrédia-Decamerum, ou abrindo e fechando os gestos da risonha Madelaine Rosay: Eu diria que sim. Eu diria que não. Ou pondo a bôca no mundo que é uma beleza, como Inesita Barroso. Ou se liquificando tôda como Brenda Lee, em Jambalaia. Nádia faz também Maysa, Emilinha, Marlene (a nossa), Lana Bittencourt, Dóris, Marisa, Vera Lúcia, Neide Aparecida e até Carlos Frias. Eu só imito quem tem cartaz, e a minha imitação é uma homenagem, diz Nádia. Algumas das homenageadas, no entanto, por vêzes estrilam. Vanja Orico não teve humor para rir. E a fabulosa Virgínia Lane disse não ter gostado nada de uma imitação que Nádia fêz de seu programa O Coelhinho conta histórias, o que, entretanto, tornou a imitação ainda mais engraçada. Como Virgínia imita Carlitos, Nádia imitou uma imitação. Ôba.

O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva