As duas faces de Márcia de Windsor

Reportagem de CLÁUDIO ROCHA        Fotos de PAULO NAMORADO
 

Esta é uma história humana, de uma mulher que superou muitos problemas dêste "jardim interior" que um coração feminino possui: receios, desejo de estar segura na vida, necessidade de ternura e estímulo. A história começou no Rio, há vários anos. Era a época emque Pintacuda e outros heróis da velocidade faziam "suspense" na pista da Gávea. Foi então que nasceu uma bonita menina, chamada Márcia. Mas, do Rio, ficaram apenas uns fios de recordações. Seus pais eram tradicionalmente mineiros e Minas acolheu sua "pequena desertora", como Márcia se chama a si mesma, com humor. Veio um período feliz nas Alterosas. Roteiro de infância suave com muitos planos e coração puro. Surgiu um grande colégio: Sacre Coeur de Marie. Os primeiros brinquedos e as nuanças risonhas dos deslumbramentos iniciais da vida. Depois, as leituras escondidas. O nosso Machado de Assis abriu para Márcia o mundo maravilhoso em psicologia e conhecimento da vida. Alencar e o romantismo doce de Peri e Ceci, o realismo forte de Aluísio de Azevedo. Tudo com "personagens inesquecíveis". Sôbre cada uma dessas criaturas, Márcia tem até hoje uma expressão entusiasmada. Vieram logo as festinhas familiares, os namoros. As "matinées" no Cine Brasil, em B. Horizonte, as valsas vistas da varanda da "boite" Acaiaca... Esta foi a "bela época" de Márcia. Daí surgiu o casamento. Dêle restaram, em beleza e ternura, os filhos. Para lutar por êles, Márcia pensou muito, muitas noites sem sono. Era a fase realística da menina-môça que ainda não desaprendera a sonhar. Foi então que, para sustentar os filhos (seus únicos amôres), Márcia depois de muita luta e peregrinações pelos escritórios de comércio e das chamadas profissões liberais, optou pela carreira artística. Cantar era seu "hobby" e se tornou, sùbitamente, em profissão. Começou atuando numa emissora em Belo Horizonte, e daí para o Rio (de novo) foi um salto. Com beleza e talento não é difícil chegar ao "estrelato", o que aconteceu muito mais depressa do que imaginava. Hoje ela é Márciade WIndsor, das mas famosas "vedettes" de Carlos Machado, também fabricante de "estrêlas", fazendo-a brilhar e tornando mais bonitas as noites cariocas.

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