Resposta a um crápula

QUE FARIA VOCÊ, LEITOR, SE UM CÃO RAIVOSO LHE MORDESSE A PERNA?

Um pobre diabo de nome Wilson Lopes dos Santos, advogado e achacador nesta praça, fêz contra o Jornalista afirmações infamantes em plena tribuna do Júri. Não acompanhou as suas palavras com um simples documento, uma data sequer, um nome, uma referência. Mandou, em seguida, um recado aos repórteres de televisão para repetirem lá fora as suas imundices. Ora, o Jornalista que o vinha poupando até então no que diz respeito a certos episódios de sua vida passada e atual, bem como aos demais personagens dessa verdadeira gang que assaltou o 1º Tribunal do Júri, não podia manter para com êle a mesma atitude condescendente que adotou em relação a outros envolvidos, como defensores ou parentes de Ronaldo, nesse episódio que envergonha a justiça popular de uma nação.

MINHA resposta a êsse imbecil (W.L.S.), cuja burrice se mede como certos terrenos, vinte de frente por quarenta de fundos, não se fêz esperar, através da televisão, o mesmo veículo utilizado por êle em suas infâmias. Certos jornais as repetiram e volto à Imprensa, que é a minha tribuna, para também responder ao ataque escrito. Os falsos catões do Forum acharam severa, dura demais a lição. Isto porque não sentiram na carne a ofensa baixa que a bôca enegrecida pela calúnia de um advogado duplamente infeliz - no Forum e aqui fora - espalhou por todos os cantos.

HAVÍAMOS prevenido que a luta seria aceita no terreno em que fôsse posta. O pai de Ronaldo, por exemplo, não teve a décima parte de sua vida pregressa revelada, nem o Dr. Romeiro Neto. Mantiveram-se no terreno dos ataques de bastidores, das ameaças de rádio, dos insultos murmurados na Sala dos Passos Perdidos. Contra mim e contra o Arlindo Silva. Tática de desmoralização.

O EQÜESTRE Wilson Lopes dos Santos foi além. De volta do pasto, de onde saiu bem alimentado pelo capim-mimoso do Espírito Santo, sentiu-se bastante forte para jogar sôbre a vida particular, sôbre a honra pessoal do Jornalista, a sua baba peçonhenta. Que queriam essas vestais do Forum? Que o Jornalista voltasse e em linguagem serena, repelisse o insulto? Acaso se espanta um cão danado com gritos? Limpa-se a lama com espanador? Eu sempre disse que para certos adversários, para certos ataques, sòmente determinadas respostas têm efeito. Daí o revide. Àspero, rigoroso e merecido. O Dr. Wilson jogou lama contra um ventilador. Recebe-a de volta.

FUI buscar a tinta no tinteiro do Dr. Wilson Lopes dos Santos. Fui buscar o pus na sua própria alma, para lhe dar a resposta. Os catões que vão plantar batatas. Que apliquem as regras para si, quando o insulto, a infâmia, a mentira atingirem as suas vidas, os seus lares. De minha parte, repito, acho que mesmo um cão raivoso merece uma resposta, nem que seja a de um pontapé.

FOI por isso que dei aquêle corretivo nesse patife, nesse monumento nacional de boçalidade chamado Wilson (com perdão da palavra) Lopes dos Santos, que desonra o Forum do Rio com a sua presença. Revoltei-me tremendamente quando êle disse que era árabe. No Wilson? Perguntei. No Lopes? Insisti, No Santos? Desanimei. Perdurava o mistério oriental de sua vida.- Se houver realmente algum árabe metido nisso, jamais o Oriente resgatará essa dívida para com o Brasil.

FOI por isso, por suas palavras sórdidas, que desafiei êsse caluniador de última hora a provar o que disse, concedendo-lhe vinte e quatro horas para apresentar o processo a que, segundo êle, respondo por crime infamante. Nunca respondi em tôda a minha vida a um só processo que não fôsse de Lei de Imprensa. Se êsse chacal do Forum apresentar qualquer prova, comprometo-me a abandonar o jornalismo. Êle, por sua vez, caso não prove, deixará de advogar, se a essa gatunagem forense se pode chamar de advocacia. Nesse sentido, mandei uma carta à Ordem dos Advogados do Brasil, desafiando-o a exibir qualquer prova do que disse, com o cinismo de todos os salafrários de sua marca.

VOCÊ Wilson Lopes dos Santos, não é advogado nem árabe. Um advogado, ouvindo o seu constituinte e ficando inteirado do seu caso, pode reconhecer muitas vêzes que a razão está do lado dos seus competidores do pleito. Mas não precisa, para salvá-lo, espalhar mentiras e calúnias, sujando com o excremento sólido de sua alma, com a sua ignorância líquida, a todos aquêles que tomam partido contrário. Por que fui piedoso, por que estou sendo piedoso com o Sr. Edgard Castro, não destruindo muitos argumentos sentimentais que êle usa extraprocessualmente? Por que estendo essa piedade ao Dr. Romeiro Neto, a êle que foi tão impiedoso com a memória de uma virgem? Simplesmente porque, se um queria me matar, se outro quer me ver morto, ambos pararam no limiar da minha honra, detiveram-se no umbral de minha porta. Um dia, entretanto, talvez chegue à conclusão de que trabalham em equipe. Que o pùstulazinho do Wilson (com perdão da palavra) Lopes dos Santos é o homem-rã nesse lodaçal de misérias. Nesse dia, tratarei tôda a equipe como se fôsse uma pessoa só. Chamarei o Dr. Mário Gameiro como consultor-jurídico e mandarei que êle dê, com as suas palavras quentes, algumas palmadas nas nádegas envelhecidas do Dr. Romeiro. Quanto ao Dr. Edgard Castro, êle sabe a que me refiro. Defenda o seu filho, no que faz muito bem. Permaneça nos limites razoáveis. A mesma advertência faço a todos êsses lampiões togados, porquanto êles regerão a minha orquestra. Por insulto, receberão insulto e meio. Nada ficará sem resposta. Ninguém ficará do lado de fora.

NATURALMENTE, quando me refiro a insulto, não incluo nessa possibilidade o Dr. Wilson (com perdão da palavra) Lopes dos Santos. Essa coisa. Êsse bonifrate de gazua em punho que perambula pelos corredores do Forum do Dr. Souza Netto, como um batedor de carteiras criminal em busca de trabalho. Eu não o insulto, Wilson Lopes dos Santos, caluniador ordinário, ladrão de galinhas em matéria de processos. Eu não poderia insultar o insulto. Isso não seria possível, mesmo que eu me superasse. Nem Bocage conseguiria insultá-lo. Você é o maior palavrão vivo que conheci em tôda a minha vida. Em matéria de xingamento que anda, fala e pensa, o tal andarilho oriental, embuçado, fêz uma verdadeira obra-prima. Ah, mascate de gênio! Ah, raça de homens imaginosos e hábeis! Mas, aqui entre nós, Wilson, você tem certeza mesmo? Não teria sido a 1002ª história das Mil e Uma Noites que alguém lhe contasse nas ruas de Barbacena, sem nenhum fôro de verdade? Não me posso conformar, meu Aladin da Mantiqueira, que haja na sua árvore genealógica um homem de turbante, um árabe de verdade, emprestando-lhe, mesmo parcialmente, um pouco do sangue quente e generoso dos emires. Na sua vida, no seu passado, na sua falta de compostura, você nada tem de árabe. A revelação que você fêz ao microfone não constitui apenas uma dúvida, mas um insulto. Insulto a uma raça que não tem culpa de que, em uma noite de carnaval em Barbacena, alguém lhe tenha contado essa mentira de bandolins ao luar. Por favor, Wilson, diga que é mentira e lhe perdoarei todo o resto. Diga-me que êsse tio-avô ou bisavô fantasiava-se de árabe, tinha olhos de árabe, tinha bigode de árabe, gostava de quibe, bebia arak, mas não era árabe. Ou então, que tudo não passou de uma linguaguem simulada, de uma simples maneira de dizer, quando você assegurou que havia contribuição árabe no seu sangue. Diga que foi algum doador levantino que o salvou, numa transfusão de emergência. Diga tudo, Wilson, mas, por Alá, não diga que tem sangue árabe - porque êsse não flui nas veias dos canalhas. Apague de sua vida essa fantasia de Bagdá, e deixe as raízes de sua árvore enterradas na terra generosa de Barbacena, no sopé da Mantiqueira, embora nem uma nem outra possam ser responsabilizadas por isso. Ou antes, por você. Por você que deve ter sido a compensação que a História deu à região que produziu um Santos Dumont. A terra onde a águia fêz o seu ninho deu à luz um rato.

AH, que saudade do Tribunal do Júri dos tempos de Magarinos Tôrres, de Ari Franco, de Faustino Nascimento, quando essas quadrilhas não operavam, quando não havia lugar para êsses bandoleiros togados que vendem sentenças, que compram impronúncias, que enlameiam a Justiça. Que inveja do 2.º Tribunal, o do Bandeira Stampa. Não sei por que o pinho não se transforma em peroba e desce em forma de cacête sôbre êsses venais do 1º Tribunal.

NÃO abandonaremos, contudo, a nossa campanha. Temos a mania da persistência, buscando um código moral para um mundo insensato. Não nos sentimos cansados de terçar armas contra essas rochas monolíticas que ainda por séculos servirão de muralhas protetoras aos crápulas como Ronaldo ou Wilson (com perdão da palavra) Lopes dos Santos, canalhas que desenterram o corpo de uma virgem, através da palavra dessa Dona Fifi forense, o Dr. Romeiro Neto, para cobri-lo de lama, exibindo-o à face de um júri discutível e altamente suspeito.

NÃO tenho satisfação a dar a bastardo nenhum, árabe ou não, que se utiliza do recinto do Tribunal do Júri para acusações sem provas. Lamento que a ofensa pessoal tenha-me desviado do verdadeiro e único rumo - que é o da condenação dos responsáveis pela morte de Aída Cúri. Só êsse rumo me interessa. Mas, sempre que houver um insulto a responder, sempre que houver uma infâmia a rebater, sempre que houver uma mentira a destruir, voltarei. Não me importa o julgamento dos catões. Sempre que um cão danado tentar morder a minha perna, encontrará pela frente um homem prevenido. Mesmo que êsse cão danado tenha nome de gente, como por exemplo Wilson Lopes dos Santos. Ou ainda que encubra nesses apelidos tão nacionais, um árabe hipotético, e, como o Júri, altamente suspeito.

Wilson Lopes dos Santos,
isto eu afirmo e não brinco:
perto dêle, até gambá
é Chanel número cinco.

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