Lembranças de carnaval de Clotilde Tavares

No Carnaval de 1950, com dois anos, estou presente em uma fotografia em pleno Carnaval, com meus pais. Ele veste um terno creme, de linho, abotoadura dupla, usa sapatos pretos. Barbeado, de bigode, com seu cabelo bem preto e alisado com óleo de ovo – uma caixinha azul, com o desenho de um ovo; um homem entrava por um lado do ovo completamente careca e saía do outro lado com uma cabeleira abundante. Papai usava todo dia um pouco desse óleo no cabelo. Nunca usou brilhantina, que era o que todo mundo usava naquele tempo, e que era uma pasta mais espessa, que armava o cabelo nos topetes que os mais jovens usavam e fixava de modo mais discreto o penteado dos mais velhos, como o meu pai.

Na foto, com o braço enfiado no dele, minha mãe. Alta, magra, cabeça erguida, olhos abertos e observadores, atitude orgulhosa. Assim era ela. Tinha atitude, como se diz hoje em dia. Um vestido de linho sequinho, de tonalidade salmão bem claro – a foto é em preto e branco mas eu me lembro da cor – que combinava muito com sua pele clara e cabelos pretos, com delicados botões e um cinto fino ornando a frente. Era dia de Carnaval e eles me fizeram uma fantasia de havaiana toda em papel celofane vermelho. Ainda me lembro da sensação áspera do contato do papel com a pele apesar de ser eu bem pequena, deveria ter apenas dois anos de idade no Carnaval de 1950. O passeio foi na Marquês de Herval (Campina Grande – PB), e nessa época eles já moravam no Edifício Mirim, na mesma rua. Os transeuntes nos olham divertidos e sorriem, talvez pelo meu aspecto, muito pequena e muito branca, com a fantasia vermelha de papel. Além da fantasia eu uso também uns óculos de plástico, vermelhos, na mesma tonalidade da fantasia, precisos atrás da cabeça com um elástico. Nessa época, todas as crianças usavam esse tipo de óculos no carnaval, para se protegerem dos borrifos de lança-perfume que era muita usada para esguichar uns nos outros.

Tenho muitas fotos de Carnavais da minha infância, sempre fantasiada, com fantasias criadas e desenhadas por Papai e feitas por Mamãe na máquina de costura, sendo a primeira um pierrô com apenas um ano de idade. Mas essa eu mando no ano que vem.

Clotilde Tavares, 62 anos, escritora, blogueira e fiscal da Natureza.

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Envie também sua história (até 15 linhas) e foto para contato@memoriaviva.com.br.

Lembranças de carnaval de Ana Maria de Oliveira

Desde criancinha, eu já detestava carnaval. Meus pais insistiam em me levar na matinée, que era um baile no domingo à tarde, no Clube XV, em Socorro (SP), ou no Clube Irapuã, em Amparo (SP). Eu ficava olhando as crianças mais felizes que podiam estar na piscina, longe daquele calor barulhento que era o salão. Mas eu gostava dos confetes e das serpentinas. A gente usava também as bisnagas pra espirrar água uns nos outros e um martelinho de plástico com um fole que fazia barulho quando acionado na cabeça de alguém. Lança-perfume ainda era permitido, em latinhas de aerosol. Eu gostava da sensação gelada que ele provocava na pele. E ainda ficava aquele perfumezinho… Não, eu não sabia que ele dava barato, coisa que só vim descobrir bem mais tarde, quando eu já tinha crescido e ele já tinha sido proibido. E eu continuava não gostando de carnaval…

Na foto, eu sou a da esquerda, de máscara, franjinha e saquinho de confetes na mão. A que está vestida de índia era uma coleguinha. Ela tinha seu lança-perfume, eu não…

Ana Maria Domingues de Oliveira, 50 anos, professora de literatura militante, fotógrafa diletante e turista aspirante.

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Envie também sua história (até 15 linhas) e foto para contato@memoriaviva.com.br.

Carnaval do Memória Viva

Desta sexta, 12, até a próxima terça, 16, o Blog Memória Viva será todo dedicado ao carnaval. Ao estilo do Memória Viva, claro.

Lembraremos os antigos carnavais de rua, os corsos, ranchos, assustados, Baile dos Artistas… Teremos também uma seleção de charges sobre o carnaval feitas por dois de nossos biografados, Appe e Carlos Estevão, nas páginas da revista O Cruzeiro.

E teremos também as suas lembranças de carnaval. Para participar, basta enviar um texto de até 15 linhas para contato@memoriaviva.com.br. No campo assunto, escreva “Carnaval”. Pode enviar foto de época também. A ideia é que você fale dos carnavais ou de um carnaval especifico de sua infância. Lembre-se de informar seu nome, idade e atividade profissional. Veja abaixo um exemplo.

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O ÍNDIO-BAIANA

Os carnavais de minha infância, na década de 70, no Rio de Janeiro, foram nas ruas. Crianças fantasiadas, cornetas, confetes, serpentinas e grupos de bate-bolas. Vez ou outra, ia ao Clube Caeté, próximo à minha casa, ou ao Clube da Light, no bairro de Todos os Santos. Em casa, sempre os LPs dos sambas-enredos do ano e a indefectível transmissão dos desfiles das Escolas de Samba.

Provavelmente meu carnaval mais marcante tenha sido o de 1979. Eu estava na terceira série e havia me mudado para o Colégio Pequeno C.E.U.. Mais gente na turma, uniforme diferente. Nos primeiro dias, eu só observava. Não foi traumático. Difícil foi quando chegou o carnaval e minha mãe não entendeu a circular que dizia que os alunos até a segunda série deveriam ir fantasiados. Então, ela me mandou para a aula vestido de índio – com direito à machadinha e cocar. Passei a manhã inteira vestido apenas com uma espécie de saia de penas e tendo que aguentar uma coleguinha cantando O que é que a baiana tem.

Sandro Fortunato, 37 anos, jornalista, editor do Memória Viva

Obras de Clarice Lispector serão publicadas na China

As coletâneas de contos Felicidade Clandestina e Laços de Família, de Clarice Lispector, acabam de ser negociadas para o mercado editorial da China e serão editadas pela Shangai 99.

Clarice passará a ser publicada em mandarim, após ganhar edições em mais de 15 idiomas, como tcheco, russo, croata e coreano.

No Brasil, a coletânea de crônicas Clarice na Cabeceira, organizada por Teresa Montero e lançada no final de 2009, atingiu a terceira reimpressão. A biografia Clarice,, do jornalista norte-americano Benjamin Moser, voltou à lista dos mais vendidos no país e teve sua primeira reimpressão.

Informações da Livraria da Folha

Secretaria de Cultura do Rio seleciona projetos para oficinas

Rio de Janeiro – A Secretaria Municipal de Cultura recebe, até 26 de fevereiro, projetos de oficinas culturais para serem implementadas dentro do programa Segundo Turno Cultural, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. As oficinas devem contemplar atividades de música, artes cênicas, livro e leitura, artes visuais, dança e audiovisual.

Serão selecionadas oficinas que beneficiarão alunos da Rede Municipal de Ensino, do 1º ao 9º ano. Para a seleção do projeto será considerada a relevância e qualidade do mesmo e as demandas das escolas envolvidas.

Os trabalhos devem ser propostos por uma pessoa jurídica, a fim de que não haja impedimento em sua contratação. A apresentação do projeto deverá conter os seguintes itens: um resumo da oficina, a descrição, os objetivos, os profissionais envolvidos com um breve currículo, a duração e o valor a ser pago por encontro.

Os interessados podem entregar os projetos impressos na Coordenação de Livro e Leitura da Secretaria Municipal de Cultura (Rua Afonso Cavalcanti n° 455/ sala 245 – Telefones (21) 2503-2180 ou 2503-2164).

Informações da Prefeitura do Rio de Janeiro

Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – Acontece hoje, 10 de fevereiro, às 20h, no Teatro João Caetano, a entrega do Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Os três principais prêmios de cultura do estado – Golfinho de Ouro, Estácio de Sá e Governo do Rio de Janeiro – foram unificados no novo Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, que em sua primeira edição será dedicado ao teatrólogo Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.

Serão contempladas realizações em 15 categorias (veja mais abaixo os indicados). Cada premiado receberá R$ 10 mil, além de um troféu inspirado em criação do artista plástico Jorge Barrão. Apenas um indicado de cada categoria receberá o prêmio.

Veja lista de indicados:

Música Erudita
1- Orquestra de Cordas da Grota de Niterói
2- Sociedade Musical Bachiana Brasileira
3- Matutos de Cordeiro

Empreendedorismo
1- Flip
2- Grupo Matriz
3- Festival Vale do Café

Preservação do Patrimônio Material
Museu da Maré
Museu Casa do Pontal
Morro da Conceição – Ordem Terceira do Carmo

Preservação do Patrimônio Imaterial
Professor Bráulio Nascimento
Quilombo São José
Mãe Meninazinha d’ Oxum

Teatro
Grupo de Artes Cênicas Projeto Via Sacra Rocinha
Cia dos Atores
FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra

Circo
Crescer e Viver
Teatro do Anônimo
Circo Baixada

Dança
Cia de Dança Ciem H2 – Macaé
Panorama de Dança
Irlan Santos – bailarino do Alemão

Registro
Nilma Teixeira Accioli
Evandro Teixeira
Tempo Glauber

Audiovisual
Projeto Cinema Nosso
Cine Mais, de Bom Jesus de Itabapoana
Matheus Souza

Literatura
Ana Maria Machado
CEP 20000
Thalita Rebouças

Comunicação
Heloisa Buarque de Hollanda
Revista Piauí
Cultura Digital em Antares

Artes Visuais
Vik Muniz
Gentil Carioca
Carlos Vergara

Gastronomia
Guia Botequim
Teresa Corção
Casa de Artes de Machadinha

Moda
Daspu
Adriana Fernandez
Heloisa Simão

Música Popular
Maria Gadu
Mart’nália
Pedro Miranda

Informações da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro

Câmara aprova promoção de Vinicius de Moraes a embaixador

Brasília – A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça, 8 de fevereiro, projeto de lei que promove o músico e poeta Vinicius de Moraes, post mortem, ao cargo de embaixador (ministro de primeira classe) no Ministério das Relações Exteriores. O poeta era da carreira diplomática e foi aposentado compulsoriamente em 1968, pelo Ato Institucional 5, no cargo que ocupava de primeiro secretário.

O projeto precisa ainda ser aprovado pelo Senado para a consolidação da promoção de Vinicius, que morreu em 1980. O músico foi anistiado em 1988. A proposta de autoria do Poder Executivo garante aos dependentes do artista os benefícios de pensão correspondentes ao cargo de embaixador da carreira diplomática.

Na justificativa do projeto, o governo afirma que mesmo tendo terminado a carreira diplomática como primeiro secretário, Vinicius prosseguiu a “brilhante trajetória artística que vinha desenvolvendo em solo brasileiro e também no exterior”.

“Pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que o extraordinário trabalho artístico desenvolvido por Vinicius de Moraes durante décadas fez dele, mais do que divulgador ímpar do Brasil, um verdadeiro embaixador da cultura brasileira”, conclui a justificativa da proposta.

Informações da Agência Brasil

Memória Viva de Vinicius de Moraes

Abertas as inscrições ao Prêmio São Paulo de Literatura

São Paulo – Estão abertas a partir desta terça, 9 de fevereiro, as inscrições para a terceira edição do Prêmio São Paulo de Literatura, realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. O prêmio concede R$ 200 mil para o melhor livro do ano e o mesmo valor para a melhor obra de autor estreante. Os romances devem ter sido publicados e comercializados pela primeira vez em 2009. O regulamento está disponível no site www.cultura.sp.gov.br.

Até 25 de março, a documentação pode ser entregue na Secretaria de Estado da Cultura / Núcleo de Protocolo e Expedição (Rua Mauá, 51, Luz, São Paulo, CEP 01028-900).

Informações de O Estado de S. Paulo