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Patativa do Assaré é homenageado no Senado

junho 4, 2009 – 1:20 am

Brasília – O poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, recebeu várias homenagens no dia de ontem 3 de junho, no Senado Federal. O ano de 2009 marca seu centenário de nascimento.

Durante a Sessão Deliberativa, iniciada pouco depois das 14h, houve pronunciamentos de vários senadores e o lançamento do livro Patativa do Assaré – Poeta universal, organizado pelo senador Inácio Arruda. Às 18h30, aconteceu apresentação dos violeiros Roque José e Lindalva Dantas, dos emboladores de coco Elias Ferreira e Daniel Ramos dos Santos e do poeta Gonçalo Gonçalves no Auditório Senador Antonio Carlos Magalhães. Em seguida, foi exibido o documentário Patativa do Assaré – Ave Poesia, dirigido por Rosemberg Cariry.

Durante a Sessão, o cantor Fagner cantou Festa da natureza e Vaca Estrela e Boi Fubá ,da tribuna do Plenário, e disse que “só quem não sabe quem é Patativa do Assaré é a Academia Brasileira de Letras (ABL)”. O senador Mão Santa (PI) disse que a obra grandiosa do trovador dá a seu autor a legitimidade para ser chamado de “pai-d’égua”, ou seja, alguém de grande capacidade. Esse adjetivo ocorreu ao senador ao se lembrar de uma visita ao Ceará, em 1960, do já ex-presidente Juscelino Kubstcheck, quando foi saudado por um nordestino simples como “presidente pai-d’égua”.

O senador Eduardo Suplicy (SP) destacou que Triste Partida, do poeta cearense, é uma das canções preferidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a considera uma das mais belas obras do cancioneiro brasileiro. A música, composta por Patativa de Assaré e gravada pelo cantor Luiz Gonzaga em 1964, marca a retirada de nordestinos para São Paulo, a exemplo do que ocorreu com Lula, que, aos sete anos de idade, saiu com a família de Caetés em busca de seu pai, que residia no estado. O filho de Patativa, Geraldo Gonçalves de Castro, também participou das homenagens ao pai, junto com o prefeito de Assaré, Francisco Evanderto Almeida.

O poeta – Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu no dia 5 de março de 1909, em uma pequena propriedade rural localizada no município de Assaré, no sul do Ceará.

Frequentou a escola por aproximadamente quatro meses, em 1921. Agricultor, em 1922 já atuava como versejador em festas, e a partir de 1925, quando comprou uma viola, deu início à atividade de compositor, cantor e improvisador. Em 1926 teve um poema publicado no Correio do Ceará. Seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, seria lançado somente em 1956. Em 1978 publicou o livro Cante Lá que Eu Canto Cá, e em 1979 iniciou, com Poemas e Canções, a gravação de uma série de discos, entre os quais se destacam Canto Nordestino (1989) e 88 Anos de Poesia (1997). Faleceu em 8 de julho de 2002.

Documentário – A exibição do documentário Patativa do Assaré – Ave Poesia encerrou a homenagem. Filmado entre os anos de 1979 e 2006, o documentário foi finalizado em 2007. O filme do cineasta Rosemberg Cariry resgata a figura de Patativa, um autodidata que frequentou a escola apenas por poucos meses, mas aprendeu nos livros, nos cordéis, nos jornais e nas revistas a dominar a língua para, através dela, expressar o mundo de poesia que habitava dentro dele.

Além de mostrar o poeta, o filme mostra o trabalhador na roça e no cotidiano com a família e com os amigos. A história começa a ser narrada pelo fim: com imagens do velório de Patativa. A partir daí, Rosemberg percorre a vida do poeta, mostrando acontecimentos pessoais e históricos e destacando a relevância da obra poética do homem que nasceu Antônio Gonçalves da Silva, mas que foi imortalizado como Patativa do Assaré.

O documentário estreou em algumas praças no dia 22 de maio. Veja o trailer.

Informações da Agência Senado (Roberto Homem)

 

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