Morre Athos Bulcão

Brasília - Morreu hoje, aos 90 anos, o artista plástico Athos Bulcão, que colaborou em diversos projetos do arquiteto Oscar Niemeyer na construção da capital federal. Ele teve uma parada cardíaca no Hospital Sarah, onde estava internado há dois anos.

Ontem, o artista foi submetido a uma cirurgia para ajustar um catéter pelo qual se alimentava. No dia 2 de julho Athos Bulcão completou 90 anos.

Artista de grande expressão, desenvolveu um trabalho muito peculiar e criou suas obras a partir de uma inspiração que ele mesmo não acreditava existir. Apesar disso, não se considerava autodidata. É o que revela um depoimento dele que se encontra no Arquivo Público do Distrito Federal.

Nas duas horas da gravação em fita cassete, o artista conta sobre sua infância, a descoberta da vocação para as artes, como veio para Brasília e detalhes da produção de sua obra. O depoimento é de 1991. Athos foi amigo de Portinari, pintor brasileiro considerado o de maior projeção internacional.

Com ele, Athos trabalhou nas obras da igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), e chegou a morar em sua casa, em 1945, quando passava por dificuldades financeiras.

Por causa deste período e do grande aprendizado ao lado de Portinari, Athos não se considerava autodidata. “Eu não posso me considerar um autodidata porque o Portinari me deu uma porção de noções. Eu não sou autodidata não”, concluiu.

A obra de Athos vai muito além dos famosos painéis de azulejos, da lateral cubista do Teatro Nacional e dos painéis de mármore espalhados por diversos prédios públicos de Brasília, como o Palácio do Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores). Ele produziu também pinturas, máscaras, fotomontagens e desenhos eróticos.

Além das grandes obras em prédios e construções da cidade, ele também produziu obras “efêmeras”, como instalações durante o natal e o carnaval brasilienses. Mesmo com 73 anos, quando concedeu a entrevista ao Arquivo Público, ele parecia incansável.

Informações da Agência Brasil

Ditadura: especialistas divergem sobre prescrição de crimes

Brasília – Participantes de audiência pública realizada, hoje para discutir a violação de direitos humanos na época da ditadura, defenderam que agentes públicos que atuaram como torturadores na época da ditadura sejam cível ou criminalmente responsabilizados.

A audiência foi realizada pelo Ministério da Justiça, em Brasília, com o tema Limites e Possibilidades para a Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante Estado de Exceção no Brasil. Houve, porém, quem afirmasse que os crimes cometidos na época já prescreveram.

Raphael Martinelli foi um dos que pediu pela responsabilização dos agentes públicos que violaram os direitos humanos, entre os anos de 1964 e 1985 no Brasil, quando vigorava a ditadura militar.

Ele é um dos milhares de perseguidos políticos, presos e torturados durante o período. Atualmente, é presidente do Fórum dos Ex-Presos Perseguidos Políticos de São Paulo. Martinelli chegou a ficar três anos preso e lembra que, ainda hoje, deputados que atuavam politicamente na época não foram encontrados.

Ele lembrou também de casos de estudantes, operários e camponeses que morreram no período, sem que ficasse esclarecido em que circunstâncias ocorreram.

Martinelli evitou sugerir que tipo de punição seria adequada para os agentes públicos que torturaram presos políticos, mas reforçou que, em todos os casos, algum tipo de responsabilidade – cível ou criminal – há de ser apontada.

Para a procuradora da República, Eugênia Fávero, autora de Ação Civil Pública contra o coronel Carlos Alberto Ustra, conhecido como Brilhante Ustra, os crimes de tortura cometidos durante a ditadura militar se encaixam no conceito de crime contra a humanidade – previsto desde 1945 pelo Tribunal de Noremberg – e que, portanto, não prescrevem.

Um bom exemplo, segundo ela, é o caso de grupos nazistas. Ainda hoje, quando alguma pessoa que cometeu atos ligados ao holocausto é localizada, é processada, independente do país em que se encontra.

Já o advogado criminalista e professor da Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, Thiago Bottino, esclareceu que a legislação brasileira não considera atos de tortura como crimes imprescritíveis.

De acordo com ele, existem apenas duas hipóteses em que o crime não prescreve e, portanto, não tem prazo para ser julgado e aplicada a pena – atos de racismo e ações de grupos armados contra o Estado. Em ambos os casos, o Brasil assegura a prescrição depois de um período máximo de 20 anos.

Bottino disse que é possível responsabilizar agentes públicos por crimes cometidos há mais de duas décadas, com a punição nas esferas civil e administrativa.

Informações da Agência Brasil

Audiência discute crimes cometidos durante a ditadura

Brasília – Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, participam hoje, 31, da audiência pública Limites e Possibilidades para a Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante Estado de Exceção no Brasil.

O objetivo da audiência é analisar as potencialidades e dificuldades de responsabilizar, nos planos cível e criminal, aos agentes do Estado que desrespeitaram os direitos humanos entre os anos de 1964 e 1985 no Brasil, quando vigorava a ditadura militar.

Em nota, o Ministério da Justiça informou que considera a verdade, a memória e a reparação os três pilares de um processo de transição democrática.

A audiência pública começa às 8h30 no Salão Negro do Ministério da Justiça, com a presença dos presidentes da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Brito, e da Comissão Especial da Anistia da Câmara dos Deputados, Daniel Almeida.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence e o ex-Secretário Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, também participam dos debates.

Informações da Agência Brasil

Fausto Fawcett se apresenta hoje no SESC Tijuca

Rio de Janeiro – O cantor Fausto Fawcett se apresenta nesta quinta, 31, às 17h, no SESC Tijuca, com entrada franca, pelo projeto Geringonça. Ele vai cantar e bater um papo com a banda Orquestra Charles Bronson e a trinca de poetas Madame Kaos.

Kátia Flávia, Rio 40º, Garota sangue bom e Balada do amor inabalável são alguns dos sucessos que levam a assinatura de Fausto Fawcett, parceiro de nomes como Fernanda Abreu, Samuel Rosa, Fred Nascimento, Dado Villa-Lobos, entre outros.

SERVIÇO
Geringonça
Fausto Fawcett com a banda Orquestra Charles Bronson e poetas Madame Kaos
Quinta, 31, às 17h
SESC Tijuca
Rua Barão de Mesquita, 539
Informações: (21) 3238-2076 / 3238-2168
Entrada gratuita

Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura

Brasília – Gilberto Gil confirmou há pouco que está deixando o cargo de ministro da Cultura. Ele anunciou sua saída depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que este aceitou o pedido de demissão do cantor.

Dedicar mais tempo à carreira foi a justificativa de Gil para deixar o comando do ministério, depois de cinco anos e meio no governo do presidente Lula. “Tomei essa decisão por causa do aumento da carga de trabalho como artista. Minha retomada ao trabalho como compositor e o fato de ter gravado um disco recentemente culminaram na decisão pela minha saída”, disse durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Embora reconheça que, no segundo mandato do governo Lula, tenha dedicado mais tempo à sua carreira artística que ao papel de ministro da Cultura, Gilberto Gil não admitiu ter negligenciado a pasta, como afirmam críticos.

“Não me incomodam as críticas porque não me sinto responsabilizado por nenhuma atitude realmente negativa em relação a isso”, disse Gil, ao anunciar sua saída. “Embora tenha que reconhecer que a balança tendia mais para o incremento da atividade [artística]”, completou.

Segundo o ex-ministro, a agenda de shows e outros compromissos artísticos aumentaram nos últimos dois anos, dificultando a conciliação com as atividades do ministério. Essa foi a terceira vez que ele pediu a Lula para deixar o governo. O primeiro pedido foi feito em 2006 e o segundo, no final do ano passado. O cantor afirmou que acabou permanecendo mais tempo, a pedido de Lula.

Ele disse ainda que deixa o ministério com sentimento de dever cumprido, mas lamentou não ter conseguido mais recursos para a pasta. Gil será substituído interinamente por Juca Ferreira, atual secretário-executivo. Segundo ele, depois que o presidente Lula voltar de sua viagem a China, quando irá participar da abertura das Olimpíadas de Pequim, Ferreira deve ser efetivado no cargo.

Informações da Agência Brasil

Câmara Cascudo, cada dia mais vivo

Natal – No dia 30 de julho, há 22 anos, Câmara Cascudo “encantou-se”. Para lembrar esta data, o Memorial que leva seu nome apresenta a exposição Câmara Cascudo, cada dia mais vivo, mostrando que ele continua presente na sua cidade, no seu país e na memória dos seus contemporâneos.

O título da exposição é o mesmo dado por Sandro Fortunato, editor do Memória Viva, a um artigo publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza (CE), em agosto de 2006, e depois publicado no livro Câmara Cascudo – 20 anos de encantamento, lançado em 2007.

Um dos painéis da exposição – Cascudo na Internet – mostra o Memória Viva e o Blog do Cascudo, que começa hoje mais uma temporada de textos publicados pelo escritor entre 1939 e 1960 em sua coluna Acta Diurna.

O primeiro texto desta temporada é intitulado Responder cartas. Originalmente publicado em maio de 1948 no jornal Diário de Natal, nele Cascudo aborda a queixa comum dos estrangeiros quanto aos brasileiros não responderem cartas.

O Blog do Cascudo terá atualização semanal, sempre às quartas-feiras.

Abaixo, dois painéis da exposição que tem entrada gratuita e pode ser vista no Memorial Câmara Cascudo, de terça a domingo, das 8h30 às 17h.

 

“Santa – Art Magazine” será lançada hoje

São Paulo – Hoje à noite, na Livraria da Vila, será lançada a revista Santa – Art Magazine, sobre fotografia, artes plásticas e debates.

A revista terá periodicidade trimestral. A primeira edição sairá com 96 páginas.  Seus editores a divulgam como “uma revista para ler, guardar, carregar por aí, dar de presente”.

SERVIÇO
Lançamento da revista Santa – Art Magazine
Livraria da Vila – Alameda Lorena, 1731 – Jardins – São Paulo
Terça, 29 de julho, às 19h
Informações: (11) 3062-1063

Naná Vasconcelos e Virgínia Rodrigues fazem show hoje

Campina Grande – O percussionista Naná Vasconcelos (foto) e a cantora baiana Virgínia Rodrigues apresentam-se nesta terça, 29, no Festival de Inverno de Campina Grande (PB). O show acontece às 21h no Teatro Municipal.

O repertório tem como base os três álbuns da cantora. Naná, considerado um dos melhores percussionistas da atualidade, recria arranjos para as músicas gravadas por Virgínia.

Amanhã, quarta, 30, às 21h, também no Teatro Municipal, haverá apresentação do espetáculo Vozes Dissonantes, da dramaturga, encenadora e atriz Denise Stoklos.

Na quinta, 31, a trupe do Teatro Mágico fará única apresentação, às 19h, na Praça da Bandeira.

O XXXIII Festival de Inverno de Campina Grande vai até o próximo domingo, dia 3 de agosto. A programação completa pode ser consultada no site do evento.

Projeto de Lei prevê que escolas ofereçam leitura orientada

Brasília – O Projeto de Lei 3477/08, do deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), inclui a prática da leitura didaticamente orientada no currículo obrigatório da educação básica. De acordo com o parlamentar, a escola não tem sido capaz de ensinar a ler. “É consenso, contudo, que a leitura é o meio, por excelência, de se adquirir informação em qualquer área do conhecimento. Se os alunos brasileiros não sabem ler, não se pode esperar que tenham bom desempenho escolar”, afirmou.

O parlamentar apontou a pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) – para demonstrar a gravidade da situação. O INAF/2007 mostra que 72% dos jovens e adultos brasileiros não dominam plenamente as habilidades de leitura e de escrita. Desses, 7% são analfabetos totais e 65% são alfabetizados funcionais, pois apresentam, em diferentes graus, comprometimento da capacidade de utilizar a leitura e a escrita para resolver situações cotidianas, perceber informações e compreender a própria realidade.

Entre os considerados analfabetos totais, 73% estudaram até a 4ª série do ensino fundamental; 12% cursaram ou cursam de 5ª a 8ª série; e 1% estava cursando ou cursou o ensino médio. “Saber ler, assim como qualquer atividade, exige experiência. Defendemos que essa experiência seja sistemática e mediada por profissionais devidamente preparados”, prossegue.

O deputado defendeu que os alunos tenham oportunidade de ler livros e outros tipos de textos, em suportes diversos, sobre assuntos variados, na própria escola, não apenas como tarefa de casa.

A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Veja a íntegra da proposta.

Informações da Agência Câmara

“Panair do Brasil” terá teste de audiência

Brasília – O documentário Panair do Brasil, que resgata a história da empresa pioneira na aviação comercial brasileira, é o filme em cartaz no projeto Teste de Audiência, apresentado mensalmente no Teatro da Caixa. A próxima edição será na quarta, 30 de julho, a partir das 19h30, com entrada franca. Ao final da exibição, o diretor Marco Altberg participará de debate com a platéia.

O filme conta a história da Panair do Brasil, empresa símbolo de modernidade e eficiência, que viveu o seu auge na era JK e seu fim com o regime militar. Com farto material de pesquisa e registros de época, o diretor revela uma história de conspiração e glamour nas asas da primeira companhia de aviação brasileira. O documentário apresenta a época da criação da empresa no início da década de 1930, seu crescimento, sua relação com o processo desenvolvimentista brasileiro e sua importância no estabelecimento de bases sólidas para a aviação comercial no Brasil.

Marco Altberg mostra ainda como a Panair do Brasil sobrevive hoje no coração e na esperança da chamada “Família Panair”, composta por antigos funcionários e seus descendentes, que sonham com a volta de seus aviões aos céus brasileiros.

Panair do Brasil teve sua pré-estréia no Festival do Rio ano passado e chegará aos cinemas em setembro de 2008.

SERVIÇO
Teste de audiência do filme Panair do Brasil
Quarta, 30 de julho, às 19h30
Teatro da Caixa Cultural – Brasília
Classificação etária: Livre
Entrada gratuita (lotação: 400 lugares)
Informações: (61) 3206-9448