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Quincas Berro D’Água

março 9, 2010 – 11:20 am

Quincas Berro D’Água, filme baseado em livro de Jorge Amado e dirigido por Sérgio Machado, tem estreia prevista para 30 de abril. No elenco: Paulo José, Marieta Severo , Mariana Ximenes , Vladimir Brichta.

Veja o trailer logo abaixo.



Chico Xavier – O Filme

março 9, 2010 – 11:06 am

Chico Xavier – O Filme, dirigido por Daniel Filho, fará sua estreia nos cinemas em 2 de abril. Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos, Paulo Goulart, Christiane Torloni, Letícia Sabatella, Giulia Gam e Cássia Kiss fazem parte do elenco.

Veja abaixo o trailer e visite o site oficial.


Lembranças de carnaval de Marina Miyazaki

fevereiro 15, 2010 – 9:40 am

Era fantasia de carnaval

Era um clube metido a rústico, feito de bambu, idéia interessante e inovadora para época, mas não era nada disso, era falta de grana mesmo.

Pessoas de todos os tipos se misturavam, criando um clima bonito, sem preconceito e sem discriminação, mas não era nada disso, não existia outro clube na cidade.

Meu paquera já deixara de frequentar as matinês, por que já tinha idade para ir aos bailes noturnos. Parecia um príncipe, mas não era nada disso, tinha fama de cheirador de lança-perfume e maconheiro – isso era assustador – e eu não sabia.

Eu comecei a ir à noite também. A primeira vez, usei uma fantasia de sereia, fiquei parecendo uma moça, mas não era nada disso, só pude ir por que sobrou convite, e as primas bem mais velhas insistiram para o meu pai deixar. Eu tinha 12 anos.

Por um erro no número da mesa, nos fizeram dividir a mesma mesa em que estava o “meu” Príncipe solitário – que até me olhava, quando brincávamos de “queimada” na escola. Mas não era nada disso, ele estava com uma moça, moçona de verdade, grande e alta.

E numa certa hora da madrugada, ao som da marchinha “Caiu na rede é peixe, leleá, eu não posso bobear… A maré tá cheia, tátátátátá, cheia de sereia…”, e eu, de Sereia, fui fisgada pelo Príncipe Submarino, mas não era nada disso, era o Bicho Papão.

“Quando eu nasci, minha mãe dizia, tome cuidado com o Bicho Papão… fiquei mocinha, cê sabe como é, e o tal Bicho Papão virou meu namorado”. Meu primeiro namorado.

Marina Miyazaki, 43 anos

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Antigos carnavais: Baile dos Artistas – Década de 50

fevereiro 15, 2010 – 9:15 am

Baile dos Artistas, realizado no antigo Teatro Fênix. No grupo, formado por jornalistas e artistas, podem ser vistos Victor de Carvalho e Gilberto Trompowsky (sentados), em pé, ao centro, Felipe de Oliveira, Sérgio da Rocha Miranda e outros.

Lembranças de carnaval de José Luiz Coe

fevereiro 15, 2010 – 9:00 am

Quem me conhece, sabe que não sou do tipo que curte carnaval. Sou uma pessoa muito reservada, pareço um matuto da cidadezinha do interior mais distante. Daqueles que entre amigos é super engraçado e extrovertido, mas que na presença de estranhos não passa de um mero ouvinte, chego a ser completamente mudo. Talvez seja por isso que eu escreva tanto, aqui estou sempre entre amigos.

Eis que em um ano, alguns amigos me convenceram de que eu deveria experimentar e “curtir” o carnaval. Eles me levaram para cidade de Macau, no Rio Grande do Norte. A grande tradição por lá neste período é o “bloco do mela-mela” – ou simplesmente “Mela”, onde alguns caldeirões de mel são espalhados pelo bloco e as pessoa se divertem enchendo copos, garrafas e jogando nas pessoas que passam. Achei estranho que isso pudesse realmente ser divertido, mas enfim, não discuti. Fomos para Macau.

Chegando lá, fui me informar onde acontecia a festa e, dada a minha curiosidade que chega a ser doentil, segui para ver como era. Quanto mais eu chegava próximo ao local, mais me sentia bonito, cheiroso e limpo. Resolvi continuar e só olhar para ver o que acontecia. Me encostei na parede e fiquei olhando as pessoas passando pela rua. Imagine ruas de cidade de interior onde passam 2 carros (lado a lado), casas de um lado e do outro e eu encostado em uma porta. Foi este o cenário durante trinta minutos, aproximadamente.

Muito engraçado ver que além do mel, existia um ingrediente que eu não havia sido informado, era a tal da farinha de trigo. Não conseguia imaginar as pessoas se divertindo virando um bolo ambulante, mas tudo bem, até que alguém me viu. Tratei logo de me fazer de desentendido e virei para o outro lado. Era o único que parecia não estar se divertindo, estava só olhando – como sempre faço. Adoro observar, acredite, eu me divirto muito assim.

Momentos depois, aparece uma pessoa muito feliz ao meu lado. Desconfiei, mas, como de costume, virei para o lado e comecei a observar o outro lado da rua até que vieram em minha direção muitas pessoas felizes… pareciam predadores felizes e quando você vê predadores felizes e não consegue identificar quem é a presa, você é a presa.

O que eu fiz? Corri! Muito! Até que me vi em um filme, daqueles de zumbi, onde todo mundo quer te pegar. Quanto mais eu corria, mais chamava atenção e aguçava a vontade de ser “melado” pelos zumbis, antes tivesse ficado parado, chamaria menos atenção. Consegui correr muito, até que um deles conseguiu me melar. Parei para tentar descobrir quem foi – e este foi meu maior erro. De repente vieram outros e outros até que eu tinha tanto mel, mas tanto mel, que até para abrir a boca era difícil dada a quantidade de cola – sim, o mel vira cola – que tinha em meu rosto.

Pensei em voltar para casa, pois era tanta a minha insatisfação. Isso durou uns quinze minutos antes de eu olhar para o outro lado da rua e ver uma pessoa que destoava das demais. Ela estava limpa e estranhamente aquilo fez eu me sentir muito bem.

Muita coisa aconteceu depois disso. Esta “cena” de carnaval passa como se fosse um filme na minha cabeça até hoje, e me fez entender muita coisa e a principal delas é que, para muitos, você precisa ser igual para se sentir bem. Eu me senti bem no momento que vi que existe lugar para pessoas diferentes que sabem se adaptar e se divertem a sua maneira. Tem gente que nasceu para muvuca, e, como diria um amigo: “desculpa, mas eu nasci para camarote”.

Viva o carnaval!

José Luiz Coe, 28 anos, engenheiro e webmaster

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Antigos carnavais: Cordão da Bola Preta – 1933

fevereiro 15, 2010 – 8:25 am

Foto de 1933 do Cordão da Bola Preta, que reúne seus fundadores. O Cordão completou 91 anos de idade este ano. O mais antigo dos grupos carnavalescos cariocas arrasta uma multidão pelas ruas do Centro logo pela manhã do sábado de Carnaval. Animado por uma banda que toca marchinhas famosas, o bloco faz o carnaval como no Rio Antigo, com seus foliões brincando e desfilando com fantasias engraçadas. Pelo Bola Preta passaram grandes nomes da música popular, como Blecaute, Orlando Silva, João Roberto Kelly e Elizeth Cardoso.

O carnaval visto por Carlos Estevão (III)

fevereiro 15, 2010 – 8:00 am

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Antigos carnavais: Assustado – 1922

fevereiro 13, 2010 – 8:50 am

Assustado era como se chamava um tipo de baile íntimo, improvisado, que acontecia no carnaval. A foto mostra um Assustado de 1922. Atrás dos músicos, da esquerda para a direita, Cláudio Manoel da Costa, Di Cavalcanti, Kalixto, Marques Pinheiro, Luís Peixoto, Raul (sentado entre duas “deusas”), José, Amaro, uma “deusa” e Hélios Seelinger.

Lembranças de carnaval de Chico Moreira Guedes

fevereiro 13, 2010 – 8:20 am

Morei minha infância toda na Hermes da Fonseca, a “Pista”, como era conhecida a única via asfaltada de Natal daqueles idos de lá-vai-fumaça, no quarteirão entre Mipibu e Trairi. Éramos assim parte e fronteira da Cirolândia, ex-delicioso sub-bairro de Petrópolis que começa ali e se estende até o pé do morro de Mãe Luiza.

Sentado no muro da frente de casa eu assistia muito do pouco de notável que acontecia na província: desfiles do 7 de Setembro, passeatas políticas, e, chegado o Carnaval, a meio assustadora passagem dos “índios do morro” (seriam os potiguares?) que desciam de Mãe Luiza, caras pintadas de poucos amigos, saias e perucas escuras de agave tingido, arcos, flechas e tacapes, e, sobretudo, o ritmo hipnotizante dos surdos marcando a coreografia monótona: tun-tch-tun-dum / tun-tun-tch-tun-dun, uma batida que jamais esqueci. Acho que neles minha cabecinha de menino reconhecia, fascinado e apreensivo, os misteriosos “pobres” cruzando ameaçadoramente o palco do nosso protegido e conservador universo classe-média.

Outro grande evento era o Corso d’avenida Deodoro. Lembro-me de dar volta após volta em cima da caminhonete de seu Edgar Salustino, nosso vizinho mais festeiro, um bocado de meninos e meninas armados de lanças de plástico cheias d’água xeringando e sendo xeringado pela gente que se aglomerava ao longo das calçadas. Jogava-se e levava-se também maizena e outras farinhagens menos nobres, além de muito confete e serpentina; e voltávamos pra casa ao escurecer ensopados e excitados, e já sonhando co’a folia do dia seguinte.

Chico Moreira Guedes, 53 anos, tradutor

O carnaval visto por Carlos Estevão (II)

fevereiro 13, 2010 – 7:30 am

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Lembranças de carnaval de Wilson Natal

fevereiro 12, 2010 – 11:50 am

No meu caderno de memórias, escrevi:

Íamos brincar o carnaval nos salões da sedes social dos muitos clubes de várzea que tínhamos aqui na Mooca. (…) O melhor do carnaval era no C.A Juventus! O sonho da criançada. Dois salões, um para crianças, outro para adolescentes e, claro duas orquestras. (…) Os “blocos” já escasseavam e o “corso” ficou restrito a Avenida Paes de Barros (…) e entre as tantas fantasias que se viam pelas ruas, predominavam as de temas italianos (dançarinas de tarantella, gondoleiros e personagens da commedia dell’arte.

Pierrot, Colombina, Arlequim, história de um amor, assim, assim…  A Mooca ainda era Nápoles.

No fim dos anos 50, eu era um bebê fantasiado! Fui palhacinho, Pinocchio (sem o narigão, claro!). Na década de 60, eis o meu histórico carnavalesco: Pierrot, aos cinco anos; Arlequim, aos seis; Chinês, aos sete; Pajem aos oito (…) e também as séries televisivas influenciavam: aos nove anos virei Zorro e aos dez, Batman! Aos onze, sob ameaça de suicídio, ameaça acompanhada de um monte de palavrões, recusei-me a vestir a fantasia de Mosqueteiro e aquela peruca horrível, longa, de cachinhos. Daí em diante minha fantasia foi de Malandrinho: calça branca, camiseta listada em azul, de decote canoa; apito no pescoço, pandeiro e reco-reco (tudo de plástico) na mão… e um saco de filó recheado de confetes e serpentinas. Vez ou outra, dava uma cheiradinha no meu lança-perfume Rhodocilíndrico. Às vezes íamos ao Rio e assistíamos aos desfiles das Escolas de Samba, sentados na calçada.

Palmeirense VERDE – sim, palmeirense que se preza não fica roxo –, ia ao bailes da Portuguesa, Corinthians, São Paulo, como convidado de um sócio e, por minha vez, levava os amigos ao Palmeiras. O antagonismo restringia-se às partidas. Hoje, já não mais existe essa solidariedade. Só a violência.

Wilson Natal, 52 anos, é historiador e palmeirense.

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Antigos carnavais: Clube dos Fenianos – 1909

fevereiro 12, 2010 – 9:20 am

Conheça o site dedicado à revista Careta.

Lembranças de carnaval de Clotilde Tavares

fevereiro 12, 2010 – 8:40 am

No Carnaval de 1950, com dois anos, estou presente em uma fotografia em pleno Carnaval, com meus pais. Ele veste um terno creme, de linho, abotoadura dupla, usa sapatos pretos. Barbeado, de bigode, com seu cabelo bem preto e alisado com óleo de ovo – uma caixinha azul, com o desenho de um ovo; um homem entrava por um lado do ovo completamente careca e saía do outro lado com uma cabeleira abundante. Papai usava todo dia um pouco desse óleo no cabelo. Nunca usou brilhantina, que era o que todo mundo usava naquele tempo, e que era uma pasta mais espessa, que armava o cabelo nos topetes que os mais jovens usavam e fixava de modo mais discreto o penteado dos mais velhos, como o meu pai.

Na foto, com o braço enfiado no dele, minha mãe. Alta, magra, cabeça erguida, olhos abertos e observadores, atitude orgulhosa. Assim era ela. Tinha atitude, como se diz hoje em dia. Um vestido de linho sequinho, de tonalidade salmão bem claro – a foto é em preto e branco mas eu me lembro da cor – que combinava muito com sua pele clara e cabelos pretos, com delicados botões e um cinto fino ornando a frente. Era dia de Carnaval e eles me fizeram uma fantasia de havaiana toda em papel celofane vermelho. Ainda me lembro da sensação áspera do contato do papel com a pele apesar de ser eu bem pequena, deveria ter apenas dois anos de idade no Carnaval de 1950. O passeio foi na Marquês de Herval (Campina Grande – PB), e nessa época eles já moravam no Edifício Mirim, na mesma rua. Os transeuntes nos olham divertidos e sorriem, talvez pelo meu aspecto, muito pequena e muito branca, com a fantasia vermelha de papel. Além da fantasia eu uso também uns óculos de plástico, vermelhos, na mesma tonalidade da fantasia, precisos atrás da cabeça com um elástico. Nessa época, todas as crianças usavam esse tipo de óculos no carnaval, para se protegerem dos borrifos de lança-perfume que era muita usada para esguichar uns nos outros.

Tenho muitas fotos de Carnavais da minha infância, sempre fantasiada, com fantasias criadas e desenhadas por Papai e feitas por Mamãe na máquina de costura, sendo a primeira um pierrô com apenas um ano de idade. Mas essa eu mando no ano que vem.

Clotilde Tavares, 62 anos, escritora, blogueira e fiscal da Natureza.

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Lembranças de carnaval de Ana Maria de Oliveira

fevereiro 12, 2010 – 7:50 am

Desde criancinha, eu já detestava carnaval. Meus pais insistiam em me levar na matinée, que era um baile no domingo à tarde, no Clube XV, em Socorro (SP), ou no Clube Irapuã, em Amparo (SP). Eu ficava olhando as crianças mais felizes que podiam estar na piscina, longe daquele calor barulhento que era o salão. Mas eu gostava dos confetes e das serpentinas. A gente usava também as bisnagas pra espirrar água uns nos outros e um martelinho de plástico com um fole que fazia barulho quando acionado na cabeça de alguém. Lança-perfume ainda era permitido, em latinhas de aerosol. Eu gostava da sensação gelada que ele provocava na pele. E ainda ficava aquele perfumezinho… Não, eu não sabia que ele dava barato, coisa que só vim descobrir bem mais tarde, quando eu já tinha crescido e ele já tinha sido proibido. E eu continuava não gostando de carnaval…

Na foto, eu sou a da esquerda, de máscara, franjinha e saquinho de confetes na mão. A que está vestida de índia era uma coleguinha. Ela tinha seu lança-perfume, eu não…

Ana Maria Domingues de Oliveira, 50 anos, professora de literatura militante, fotógrafa diletante e turista aspirante.

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O carnaval visto por Carlos Estevão (I)

fevereiro 12, 2010 – 7:20 am

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