Fevereiro de 2004
A
cena muda... mas as antigas publicações continuam
lá!
A
cena muda não vende cartão telefônico.
Nem revista nova. Lá você só encontra publicações
antigas. A banca serve como um portal no tempo. Você entra
e vai parar em algum lugar do passado, entre 1900 e 1980.
A responsável
por isto é Adda Di Guimarães, uma goiana com 30
anos de Rio de Janeiro, que já passou pela Sociologia
e pelo teatro, por Nova Iorque e Paris, foi estilista e vendeu
batatas recheadas até que descobriu “o
que queria ser quando crescesse”
quando abriu o Alpharrabio, famoso sebo de Ipanema, em 1989.
O sebo fechou
em 1996, mas Adda continuou negociando livros e revistas em
casa. Em março de 2003, viu uma banca de revistas fechada
e teve a idéia! Mas uma Lei Municipal diz que bancas
não podem vender revistas antigas. Para lei antiga, decreto
novo. Adda passou um e-mail ao prefeito César Maia e
três dias depois lá estava o decreto. Agora, para
cada região administrativa, pode existir uma banca que
venda revistas com pelo menos 20 anos.
A
cena muda foi aberta em 28 de outubro de 2003. Neste pouco
tempo de existência já virou referência e
conquistou os ratos-de-sebo cariocas. E também de todo
país. “A
repercussão está sendo ótima”,
diz Adda, “eu
não me surpreendo porque trabalho com isso há
muito tempo e conheço o interesse das pessoas”.
O nome da
banca não é uma homenagem à revista homônima.
“Eu
gosto da palavra ‘cena’.
Remete à imagem iconográfica. E ‘muda’
(de mudar) mostra o decorrer do tempo”,
explica a proprietária.
Adda informa
que dentre as publicações mais procuradas está
O
Cruzeiro, pela importância, “porque
abrange um grande período e por ser uma revista de variedades”.
Revistas dos anos 60 também têm muita procura.
E ainda Cinelândia, Placar, Senhor,
Intervalo, TV Guia, Carlos Zéfiro
e álbuns de figurinhas dos anos 50.
Quadrinhos
com Brotoeja e Tininha, a revista Grande
Hotel e fotonovelas também figuram entre as mais
requisitadas. “Já
passaram senhores por aqui, procurando a eles mesmos em fotonovelas
para mostrar às esposas”,
conta Adda.
A banca
é bem freqüentada e tem uma clientela variada. Quando
da presença de nossa reportagem, o desenhista Daniel
Azulay passou por lá procurando exemplares de O Cruzeiro
do tempo em que ele trabalhou na revista.
N’
A Cena muda, além de revistas, podem ser encontrados
cartões, postais, fotografias, santinhos e outros artigos.
Adda não faz pesquisas, mas fica com o contato dos fregueses,
anota seus interesses e avisa quando aparece algo.
SERVIÇO:
A cena muda – Banca de revistas de época
(de 1900 até a década de 1970)
Endereço: Rua Visconde de Pirajá, em frente ao
número 54, esquina com Rua Jangadeiros, em Ipanema
Aberta de segunda à sexta, das 10h às 19h. Aos
sábados, de 10h às 15h.
Telefone: (21) 2287-8072
Site: www.acenamuda.com.br
– E-mail: addadig@hotmail.com