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6 de junho de 1908
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ARTIGO DE FUNDO

      Ahi vae a nossa Careta.
      Lançando a publicidade este semanario, é preciso confessar, e contrariamente o fazemos, que a Careta é feita para o Publico, o grande e respeitavel Publico com P. grande!
      Se tomamos essa liberdade foi porque sabiamos perfeitamente que elle não morre de caretas.
      Longe vae o tempo em que isso acontecia.
      Todavia, a nossa esperança é justamente que o publico morra pela Careta, afim de que ella viva.
      E feita cynicamente, essa confissão egoistica (nós estamos no seculo XX) digamos logo que o nosso programma cifra-se unicamente em fazer caretas.
      Careta como toda gente sabe, e se não sabe, devia saber, é assim uma espécie de cara pequena, conforme a abalisada opinião do Candido de Figueiredo, e se não for, é a mesma cousa.
      Ora por ahi existe muita gente de quem se diz ter duas e mais caras; não é demais, por consequencia, que nós tenhamos uma porção de caretas que iremos mostrando todos os sabbados, á razão de uma tuta e meia (tuta em latim corresponde a 200 réis, segundo o Dr. João Ribeiro).
      As nossas caretas são sérias como as sessões do Instituto Histórico e a sua perfeição e semelhança garantidas.
      Mas nunca fiando... Quem vê caretas, não vê corações.
      Faremos tudo para que ás nossas, não correspondam caretas de máo humor; preferimos francamente, sorrisos, mesmo daquelles que mais parecem caretas.
      Se ao vêr a Careta, gentil senhorita, apreciadora enthusiasta das secções galantes do jornalismo smart, franzir graciosamente as graciosas sobrancelhas, na boquita rubra estalando um desprezador muxoxo, nós já temos meia vingança: o muxoxo é meia careta, pelo menos.
      Se porém algum representante desse sexo que se diz barbado e vive a depilar-se agora, seguindo as novas correntes estheticas do pan-americanismo (!?), enfurecer-se ao mirar a Careta, não haverá duvida tambem: deitamo-lhe convictamente um palmo de lingua de fóra.
      Com um programma tão vasto, tão seductor, tão (como diremos?) careteristico, esperamos da sympathia do publico o franco acolhimento que lhe não merecem tantas caretas por ahi, bem conhecidas.
      A Careta é honesta e não é feia; é uma careta de lei.

 
Reorganização do Exército
 
 
Luiz Bergmann, o primeiro voluntario que em virtude da lei do sorteio, vestiu a honrosa farda do soldado brasileiro. É muito jovem ainda e pertence a uma ilustre familia, o distinto patricio que acaba de dar tão elevada prova de seu patriotismo.
 
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Careta on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva